Os limites éticos do avanço dos algoritmos e a defesa do papel insubstituível da experiência humana frente à automação global.
Dias atrás, em 25 de maio, Leão XIV publicou sua primeira Encíclica, a Magnifica Humanitas, dedicada à salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial.
Nela o Papa analisa o que acontece com o ser humano quando a tecnologia passa a influenciar a própria compreensão da realidade, da verdade e da dignidade humana. A novidade da situação atual é assim descrita: “Nunca a humanidade teve tanto poder sobre si mesma”.
O documento analisa os desafios trazidos pela inteligência artificial, pela automação e pelas novas formas de concentração de poder tecnológico. Diante disso, reafirma os princípios permanentes da Doutrina Social da Igreja, como o bem comum, a solidariedade, a subsidiariedade, a justiça social e a dignidade inviolável da pessoa humana.
O Papa reconhece que as novas tecnologias podem oferecer contribuições importantes para a medicina, a ciência, a educação e diversas áreas da vida humana. Ao mesmo tempo, insiste que a revolução digital não é moralmente neutra, pois traz consequências culturais e sociais, especialmente sobre a verdade, o trabalho humano, a educação e a liberdade.
“Na era da inteligência artificial, em que a dignidade humana corre o risco de ser ofuscada por novas formas de desumanização, temos o dever urgente de permanecer profundamente humanos, salvaguardando com amor essa magnífica humanidade, que nos foi plenamente dada e manifestada em Cristo, e que jamais alguma máquina poderá substituir no seu esplendor”.
“O princípio geral deve continuar a ser a proteção dos postos de trabalho e do papel insubstituível da pessoa. O objetivo de maiores lucros não pode justificar escolhas que sacrifiquem sistematicamente o emprego, pois a pessoa humana é um fim e não um meio”.
A Magnifica Humanitas afirma que os cristãos precisam olhar para as transformações tecnológicas com discernimento espiritual, responsabilidade moral e atenção à dignidade humana.
Além disso, a Encíclica insiste que a tecnologia jamais poderá substituir aquilo que pertence ao coração da experiência humana: a compaixão, a amizade, o sofrimento compartilhado, a misericórdia e a comunhão com Deus. Faz um convite à humanidade para voltar o olhar para a dignidade da pessoa humana, para a responsabilidade moral e para a necessidade de reconstruir relações fundadas na verdade, na justiça e na comunhão.
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