Em missa ao povo libanês, Papa pediu em sua homilia para que “desarmemos os nossos corações e despertemos no nosso íntimo o sonho de um Líbano unido”.
Nesta terça-feira (2), o Papa Leão XIV concluiu a última etapa da viagem apostólica ao Líbano. O Santo Padre rezou em silêncio diante do monumento erguido para as vítimas da explosão de agosto de 2020 no Porto de Beirute.
O Pontífice depositou flores, acendeu uma vela e encontrou famílias que carregavam fotos de seus parentes. Muitas ainda aguardam respostas cinco anos após a tragédia. A explosão matou 245 pessoas e feriu milhares, além de devastar parte da capital.
Os silos destruídos continuam no local como “testemunhas silenciosas”. O Papa abraçou familiares, ouviu relatos e ofereceu rosários. A cena tocou o país, marcado pela dor e pela longa espera por justiça.
Assista a esse momento emocionante com familiares de vítimas da explosão em Beirute de 2020:
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Visita ao Hospital de la Croix
Em Jal ed Dib, Leão XIV conheceu o Hospital de la Croix, administrado pelas Irmãs Franciscanas da Cruz. A instituição cuida diariamente de 800 pessoas com deficiência mental e doenças psiquiátricas. No encontro, o Santo Padre recebeu mais de 70 terços feitos pelos pacientes e falou sobre a dignidade humana.
“Não podemos imaginar uma sociedade que, agarrando-se a falsos mitos de bem-estar, segue a toda a velocidade, ignorando tantas situações de pobreza e fragilidade.”
Ao agradecer às religiosas e aos profissionais da saúde pelo trabalho dedicado, o Papa afirmou que “vós sois como o bom samaritano”. E reforçou: “Não podemos esquecer os mais frágeis.”
O Papa também recordou que cada pessoa atendida no hospital está no coração de Deus: “Ele carrega-vos na palma das suas mãos.”
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Multidão acompanha a missa pela paz
Mais de 150 mil fiéis participaram da missa presidida por Leão XIV no Beirut Waterfront. Do altar, o Papa pediu ao povo libanês que mantenha viva a esperança, mesmo em meio à crise política e econômica.
Ele recordou as palavras de Jesus em ação de graças e explicou o valor das pequenas luzes que surgem nas noites de sofrimento. Enfatizou a fé das famílias, o serviço das paróquias, religiosos e leigos. “Nós agradecemos ao Senhor porque está conosco e não nos deixa vacilar.”
Na homilia, o apelo do Papa aos libaneses foi claro: “Desarmemos os nossos corações e despertemos no nosso íntimo o sonho de um Líbano unido.”
E concluiu com um clamor: “Líbano, levanta-te! Seja casa de justiça e de fraternidade! Seja profecia de paz para todo o Levante!”
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Ao fim da missa, o Patriarca Béchara Boutros Raï destacou que a presença do Papa “ilumina as mentes” e renova a determinação de trabalhar pela paz. Ele lembrou que a missão do povo libanês é construir pontes e fortalecer a comunhão entre cristãos e muçulmanos.
Despedida com forte apelo à paz
No Aeroporto Internacional Rafiq Hariri, Leão XIV fez seu último discurso antes de retornar a Roma. O Pontífice agradeceu pelos dias passados com os libaneses e disse estar feliz por “realizar a vontade do meu amado predecessor, o Papa Francisco, que tanto teria desejado estar aqui”.
“Na verdade, ele está conosco, e acompanha-nos na companhia de outras testemunhas do Evangelho que nos esperam no abraço eterno de Deus: somos herdeiros do que eles acreditaram, da fé, da esperança e do amor que os animaram.”
Reforçou ainda o desejo de fraternidade no Oriente Médio e recordou um ensinamento de São João Paulo II: “o Líbano é mais do que um país; é uma mensagem! Para que assim seja, aprendamos a trabalhar juntos e a ter esperança juntos.”
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Fonte: Vatican News