Joseph Oppitz se tornou um missionário de múltiplas atividades, como pároco, professor e escritor, deixando obras no campo da espiritualidade Redentorista
O naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concordia ocorrido em 13 de janeiro de 2012, ao largo da costa da ilha de Giglio, na Itália, trouxe à lembrança outros conhecidos naufrágios como o do Titanic, ocorrido em abril de 1912, quando o poderoso navio fazia sua primeira viagem ou ainda o naufrágio do navio italiano Andrea Doria, ocorrido em 1956.
A lembrança mais recente vem do Costa Concórdia, cujas imagens se espalharam pelas redes sociais à época. O cruzeiro colidiu com um recife submarino, devido a uma manobra inadequada de seu capitão Francesco Schettino, resultando no naufrágio que provocou 32 mortes.
Posteriormente, o navio, que havia virado de lado, foi resgatado e desmontado como sucata. Seu capitão foi condenado a 16 anos e um mês de prisão pela sua negligência porque, ao contrário do que as regras náuticas determinam, deixou o navio às escondidas, abandonando os passageiros e tripulação à própria sorte.
O Titanic, por sua vez, colidiu com um grande iceberg, indo ao fundo do mar depois de duas horas, provocando a morte de aproximadamente 1.500 pessoas, entre passageiros e tripulantes, no que é considerado um dos piores naufrágios da história.
Já o naufrágio do navio italiano Andrea Doria ocorreu em 25 de julho de 1956, quando colidiu com o navio sueco MS Stockholm perto de Nantucket, Massachussets. O Andrea Doria, um navio de luxo, navegava de Gênova para Nova Iorque quando foi atingido em meio a um espesso nevoeiro. Seu naufrágio é também considerado um dos piores desastres marítimos do século XX.
Dos 1200 passageiros e 500 tripulantes a bordo do Andrea Doria, morreram 46 pessoas, a maioria das quais ocupavam cabines que foram atingidas diretamente pelo choque dos dois navios, além de cinco tripulantes do MS Stockholm. O casco do Andrea Doria foi atravessado e o navio pendeu para o lado. O desastre só não foi pior porque logo chegaram outros navios em socorro.
O curioso é que entre os passageiros deste navio estava um jovem Missionário Redentorista, Pe. Joseph W. Oppitz, que acabara de se formar na faculdade em Roma e estava retornando para os Estados Unidos. Posteriormente, o naufrágio do navio italiano tornou-se tema das conversas em vários níveis e em diferentes partes de seu país. Por isso, recortamos aqui algumas passagens de sua narrativa.
Uma noite “cabulosa”
Assim começa a narrativa de Pe. J. Oppitz: “Depois de defender minha tese em Roma, viajei para Gênova para embarcar no Andrea Doria e voltar para casa. O navio tinha 213 metros de comprimento, contando com os mais recentes dispositivos de segurança e sofisticados equipamentos de radar, de rádio, vários compartimentos de segurança, de modo que seria impossível o navio afundar. Saímos de Gênova em 17 de julho, mas antes de entrar no oceano atracamos em Nápoles para receber o último dos 1.706 passageiros a bordo”.
Depois disso a viagem prosseguiu com os incidentes corriqueiros e com as diferenças entre pessoas que acontecem numa viagem, mas nada que pudesse afetar a segurança da viagem, mesmo em alto mar.
O desastre aconteceu quando o navio já estava a cerca de 200 km de Nova Iorque. E Pe. Oppitz narra o acidente ocorrido debaixo de forte nevoeiro:
“A colisão ocorreu às 23h20. A proa do Stockholm (Navio que se chocou com o Andrea Doria) amassou com o impacto, fazendo um enorme buraco no Andrea Doria e abriu a estibordo como um abridor de latas. Quando o Stockholm cortado flutuou livre novamente, a água do oceano entrou na ferida aberta do Doria, fazendo com que nos inclinássemos pesadamente para a direita. Tudo aconteceu tão rapidamente que os botes salva-vidas do lado contrário se tornaram absolutamente inúteis.
Quando o Stockholm recuou, saindo do corte, parecia que ele havia perdido 75 pés de sua proa. Outro problema sério foi que, após o impacto, o Stockholm não pôde ser estabilizado porque seu sistema de ancoragem havia afundado. Sugado para o círculo de turbulência, ele veio nos bater mais uma vez!”
Além da escuridão da noite no mar aberto, havia a questão do nevoeiro. Em sua narrativa posterior, Pe. Opptiz fala dos vários milagres que ocorreram durante e depois do acidente:
“Meu milagre pessoal aconteceu no dia em que saímos de Gênova, quando fui forçado a mudar de cabine. Se eu não tivesse mudado de lugar, teria sido morto em uma das cabines que foram completamente destruídas. O comprimento real do corte era de 40 metros de largura, atingindo sete dos onze conveses do Doria Andrea, justamente onde estaria a minha cabine”.
Diferentemente do que aconteceu com o capitão do Costa Concordia, Pe. Oppitz (1926-2011) reconhece a capacidade do comandante do Andrea Doria. O capitão deste soberbo transatlântico era Piero Calamai, o mais jovem comandante da Companhia Italiana que se viu diante da trágica situação, na noite de julho de 1956, quando o lado direito do transatlântico foi rasgado pela proa do quebra-gelo sueco Estocolmo:
“Ninguém pode contestar o trabalho deste comandante, que é o único que pagou tantas consequências negativas. Decisões rápidas e corretas, que levaram ao resgate de todos, exceto apenas das pessoas que morreram imediatamente devido à colisão. Uma grande operação de resgate que o vê em seu navio até o fim, encostado na parte de trás do convés, firme e determinado a não abandonar seu navio, até que sua própria tripulação, já resgatada, voltasse para buscá-lo”.
Professor e escritor
Depois de ordenado, Pe. Joseph Opptiz se tornou um redentorista de múltiplas atividades como missionário, pároco, professor e escritor, deixando várias obras no campo da espiritualidade Redentorista.
Ele nasceu em 12 de agosto de 1926, em Baltimore, estado de Maryland, região leste dos Estados Unidos.
Entrando para a Congregação, professou os primeiros votos religiosos em 2 de agosto de 1948.
Os votos perpétuos foram celebrados em 2 de setembro de 1951, sendo ordenado sacerdote em 21 de junho de 1953, no grande seminário de Esopus, Nova Iorque.
Entre 1954 e 1956 estudou no Instituto Angelicum, em Roma, onde completou seu doutorado em filosofia. E foi justamente em sua viagem de retorno ao seu país, que aconteceu o acidente com o navio onde viajava.
Sobrevivente, Pe. Opptiz ensinou, pregou e dirigiu as consciências de milhares de pessoas pelo resto de sua vida.
Dotado de uma boa oratória, o entusiasmo quando pregava e ensinava tinha um efeito bastante convincente sobre seus ouvintes e conta-se que “ninguém conseguia adormecer quando o padre Oppitz subia ao púlpito ou fazia suas aulas”. Ele faleceu em 2011, aos 85 anos.
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Fonte: Instituto Histórico Redentorista