Padre Antão Jorge, o pioneiro na construção de Aparecida

Missionário tomou parte ativa no Movimento Constitucionalista de 1932 e organizou, junto com os vicentinos, um hospital militar para o atendimento de feridos
Imagem padre antao edit do artigo Padre Antão Jorge, o pioneiro na construção de Aparecida

A vida do missionário redentorista Padre Antão Jorge não pode ser resumida em poucas linhas.

Sempre alegre, disposto, um líder nato, homem de palavras e obras, viveu cada missão e função em sua vida de forma única, inteira e completa e, incontestavelmente, devotado para o sacerdócio para ser a presença de Cristo para todos.

A seguir, vamos recordar alguns acontecimentos históricos que marcaram a vida deste grande discípulo de Santo Afonso.

CDM/Santuário Nacional
Padre Antão Jorge em celebração na Basílica de Aparecida (CDM/Santuário Nacional)

Padre Antão Jorge Hechenblaickner nasceu no dia 5 de junho de 1880, em Ampass, na Áustria, sendo batizado no mesmo dia. Entrou para o Noviciado Redentorista no dia 19 de agosto de 1899 e recebeu o hábito no dia 8 de setembro do mesmo ano. Foi ordenado sacerdote aos 31 de julho de 1904, aos 24 anos.

Com uma saúde de ferro e uma extraordinária capacidade de trabalho, achou que na Europa não teria campo suficiente para a sua atividade. Trocou a província austríaca pela alemã e veio para o Brasil, logo após sua ordenação. Ele nunca mais voltou a rever a sua terra natal e chegou a renunciar à licença para retornar.

Tinha escrito no cabeçalho de seu caderno de viagem uma frase que resume seu comprometimento com o povo brasileiro: “Sanctifica te pro Brasilianis, ut et ipsi sanctificentur per te”. De outra forma, “Quero santificar-me, ajudando os brasileiros a se tornarem santos”.

Em toda a sua vida, a impressão é de que tinha um “voto” de não perder tempo.

Chegou a Aparecida no dia 16 de setembro de 1904. Depois seguiu para São Paulo, onde ficou até 18 de novembro de 1909 como coadjutor na Paróquia da Penha e no trabalho das Santas Missões.

Foi transferido para Goiás, onde teve participação decisiva na história da cidade ao construir o primeiro Santuário do Divino Pai Eterno, conhecido como Igreja Matriz de Trindade. Inaugurada em 1912, a igreja buscava atender o número crescente de devotos. Também construiu a Matriz de Bela Vista.

Padre Antônio Queiróz (falecido em 2016) conta, em uma de suas memórias, que nessas construções o próprio Padre Antão “ia ao mato, cortava a madeira e trazia”, tal era seu ímpeto. Era um missionário dentro e fora das sacristias no que fosse preciso.

Ainda em Goiás, foi um missionário pacificador na Revolução de maio de 1909, na luta entre Bulhonistas e Xavieristas.

Em 1915, voltou para Aparecida, para trabalhar com os romeiros e nessa época construiu o Lar Nossa Senhora Aparecida, onde contou com a parceria de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Até hoje, as irmãzinhas da congregação fundada pela santa cuidam dos idosos nesta casa de acolhida.

CDM/Santuário Nacional
Ao centro da foto, padre Antão nas escadarias do Seminário Bom Jesus. Algumas pessoas alegam que uma das freiras seria Madre Paulina (CDM/Santuário Nacional)

Retornou para São Paulo, onde atuou duas vezes como reitor da Penha, dirigiu a paróquia, pregou missões e socorreu o povo na Gripe Espanhola. Nesse tempo, sua atuação mais relevante foi durante a Revolução Paulista, de 5 a 28 de julho de 1924, quando novamente socorreu a população do bairro com gêneros alimentícios. Novamente, se viu na missão de ser um mediador entre o então, presidente do Estado de São Paulo, Carlos de Campos e o general revoltoso, Isidoro Dias Lopes, em 26 e 27 de julho. Ficou como reitor até maio de 1927.

A construção do Santuário Nacional de Aparecida

Em 1927, retorna para Aparecida e ali vive um período brilhante de sua missão.

Assume como reitor do Santuário e fica nesse cargo até 1933. Toma parte ativa no Movimento Constitucionalista de 9 de julho de 1932, principalmente quando Aparecida torna-se o quartel-general da zona norte e voluntários aparecidenses formam o Pelotão da “Padroeira do Brasil”. Rapidamente, organizou com os Vicentinos um hospital militar, com sede na atual escola Chagas Pereira, chamado Hospital da Revolução, para o atendimento de feridos.

A Revolução de 1932 e o Batalhão Padroeira do Brasil

Foi ele também quem promoveu o Congresso Mariano de 1929, e trabalhou intensamente para que Nossa Senhora Aparecida fosse declarada Padroeira do Brasil, em 16 de julho de 1930.

[De 1933 a 1938, foi para o Rio Grande do Sul, onde pregou missões em 176 localidades]

De 1950 a 1956, foi pela segunda vez reitor de Aparecida e se empenhou durante seis anos para o início da construção do Santuário Nacional.

A pedra fundamental da Basílica Novahavia sido lançada em 10 de setembro de 1946, mas o início efetivo da construção ocorreu em 11 de novembro de 1955. 

Nessa época, já alcançava os seus 76 anos, e sua saúde já não era a mesma, quando, então, retirou-se para o convento da Penha, em São Paulo. Lá celebrava missas, rezava quase o dia inteiro e acompanhava a vida no convento. Nos seus últimos anos, já não conseguia celebrar a santa Missa, mas não perdia tempo, atendia confissões.

Morreu no dia 28 de setembro de 1965, com 85 anos de idade, cumprindo o seu “voto” de nunca perder tempo.

No Santuário Nacional, existe em sua homenagem o Centro de Documentação e Memória — Padre Antão Jorge, que busca preservar a memória do Santuário e a difusão da devoção de Nossa Senhora Aparecida.

Ele foi criado no final da década de 90 e abriga um arquivo de mais de vinte mil imagens, slides, filmes, negativos (vidro e acetato). Conta também com inúmeros documentos textuais, incluindo a vinda dos primeiros Missionários Redentoristas ao Brasil, a construção do Santuário Nacional, os Papas que visitaram Aparecida, diversos acontecimentos históricos, entre outros.

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