As Paralimpíadas de Paris começam nesta quarta-feira (28) e o Brasil enviou 279 atletas que representarão nosso país e darão seu melhor na capital francesa. Dentre eles, temos a mais jovem atleta brasileira a competir nas Paralimpíadas, a mesa-tenista carioca Sophia Kelmer.
“Deus escreveu tudo muito certo”
Sophia nasceu em dezembro de 2007, curiosamente, o ano dos jogos Pan-Americanos no Rio. Por conta de um AVC intrauterino, a mãe da atleta precisou passar por uma cesariana de emergência e Sophia nasceu prematura, acometida por uma paralisia cerebral que ocasionou uma hemiplegia, ou seja, nossa “caçula” não tem total controle dos movimentos do lado direito do corpo.
O testemunho da jovem já começa com seu nascimento, pois relatou que a profissão de sua mãe foi essencial para detectar o problema e chegar ao diagnóstico.
“Por volta dos quatro meses, o meu avô e minha mãe, que são fisioterapeutas, começaram a perceber que eu tinha uma predominância muito forte pelo lado esquerdo do corpo, o que não é normal nessa idade. Eles conseguiram me levar em médicos e fazer todos os exames possíveis para chegar no diagnóstico. Eu comecei a fisioterapia muito cedo, com cinco meses. Se hoje eu sou tão bem trabalhada, se consigo fazer tantas coisas, é porque eles conseguiram ver que eu tinha alguma coisa diferente. Deus escreve tudo muito certo — era para eu ter nascido nessa casa, era para ter acontecido isso, era par minha mãe ser fisioterapeuta”.
Do ping-pong ao tênis de mesa
Sophia nasceu numa família de esportistas. Em 2016, seu avô foi uma das pessoas que carregou a tocha das Olimpíadas do Rio de Janeiro. Filha e neta de peixinho, “peixinha” é! Desde criança, nossa atleta experimentou vários esportes, mas foi no tênis de mesa que ela se encontrou.
“Um belo dia eu tava na escola, comecei a brincar de ping-pong e comecei a ganhar dos meninos, e eu era a única menina e a única pessoa com deficiência que jogava tênis de mesa na escola. E eles falavam ‘Sophia, vai para uma escolinha’. Eu fui treinando, fui melhorando e aí foi tudo acontecendo muito rápido. Mas eu sempre quis ser atleta, desde criança”.
No tênis de mesa paralímpico existem 11 classes — de 1 a 5 competem os cadeirantes, de 6 a 10 os andantes e na classe 11 estão os atletas com deficiências intelectuais. Nossa jovem mesa-tenista compete na classe 8 e, sobre sua deficiência, ela afirmou que não a limita e que as dificuldades apresentadas são adaptadas.
“Eu jogo com pessoas que têm a deficiência parecida com a minha. Tudo que eu tenho mais dificuldade para fazer e tal, meu técnico e eu adaptamos para que eu possa executar os movimentos”.
Fé e família
Ao longo desses 16 anos de uma vida que já pode ser considerada bem-sucedida, Sophia sempre teve o apoio e o incentivo de sua família. Mas a jovem contou que todo esse apoio seria em vão se ela não tivesse a determinação e a força de vontade necessárias para conquistar o que já conquistou.
“Eu sou cristã, acredito muito em Deus. Em muitos momentos difíceis, é Ele quem me mantém de pé. Fico muito feliz de poder ter a minha família e Deus por perto, sempre que eu preciso. É muito importante, ter os dois lados, pois um não anda sem o outro e eles fazem total diferença na minha vida”.
Com um carinho especial por Nossa Senhora Aparecida, a atleta disse que recorre à sua intercessão nos momentos mais complicados.
“Eu gosto muito de Nossa Senhora Aparecida. É Ela que eu sempre procuro junto a Deus para falar sobre os meus medos, sobre as minhas preocupações e ela sempre me ajuda a passar por momentos difíceis”.
Sophia também comentou sobre a importância de manter uma rotina de treinos e de orações e de como isso é importante nos momentos difíceis.
“Assim como a gente tem os treinos, a gente tem que ter uma rotina espiritual, de sempre estar em contato com Deus, com Nossa Senhora. Eles sempre estão aqui para nos ajudar, então a gente sempre tem que estar em contato com eles. Quando eu tô num momento difícil, penso o porquê que Deus permitiu que eu passasse por aquilo. Eu sempre tento olhar o quê que Jesus quer me ensinar naquela situação”.
Mais do que influenciadora, evangelizadora
Sabendo de sua trajetória de sucesso precoce, Sophia acredita que pode servir de inspiração para outros jovens e que sempre procura transmitir a mensagem do Evangelho com seu estilo de vida.
“Eu passei por momentos muito difíceis na minha carreira, mas sempre me mantive muito perto de Deus e Ele me mostrou coisas que eu não conseguia enxergar. Eu acredito que eu sempre farei o meu melhor para tentar passar a mensagem do Evangelho para frente, porque é o mais importante de tudo”.
Paris vai virar baile?
Sobre as expectativas para as Paralimpíadas de Paris, Sophia Kelmer diz que é apenas a primeira.
“Eu quero aproveitar muito essa Paralimpíada, afinal é a minha primeira e, se Deus quiser, eu vou ter outras oportunidades, mas a primeira é sempre a mais marcante. E, lógico, jogar muito feliz, alegre, vibrante, porque o resultado é consequência disso e eu quero fazer um trabalho bem feito e, se possível, trazer os melhores resultados”.
Com 373 medalhas, sendo 109 de ouro, o Brasil é uma potência nas Paralimpíadas e, sem dúvida, nossos atletas paralímpicos vão aumentar ainda mais nosso quadro de medalhas. Que, pela intercessão da Virgem Maria, Deus abençoe nossa jovem Sophia Kelmer e seus colegas da delegação brasileira, pois são motivo de muito orgulho para nós!