Papa Francisco recebeu na manhã de segunda-feira (08), embaixadores de 184 países e na oportunidade falou sobre desafios da comunidade internacional. Este é um tradicional encontro do Papa com o corpo diplomático junto à Santa Sé.
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Papa Francisco manteve seu discurso direcionado a caminhos e dificuldade para a paz, entre os assuntos que o pontífice apontou, estão: tecnologia e inteligência artificial, migração, barrigas de aluguel, mudanças climáticas, educação, liberdade religiosa, democracia e desigualdade.
“Trabalhar pela paz. Uma palavra tão frágil, que, ao mesmo tempo, se revela exigente e densa de significado. A ela quero dedicar a nossa reflexão de hoje, num momento histórico em que a mesma está cada vez mais ameaçada, fragilizada e parcialmente perdida. Aliás, é dever da Santa Sé, no seio da comunidade internacional, ser voz profética e apelo à consciência”.
O Papa citou um discurso do Papa Pio XII de oitenta anos atrás, perto do fim da II Guerra Mundial, em que ele refletia sobre a humanidade buscar e sentir um impulso de “renovação profunda”, e enfatizou que esse impulso parece ter se perdido, já que nossa realidade vive a “Terceira Guerra Mundial aos pedaços”, que os tantos conflitos estão se tornando um conflito global.
Fazendo uma retrospectiva rápida, Francisco citou alguns conflitos atuais em que o mundo deveria se preocupar e rezar por todos os irmãos que sofrem com as consequências. Falou sobre a guerra entre Israel e Palestina, e lembrou o ataque de 7 de outubro que chocou a todos, aproveitando a oportunidade enfatizou sua condenação e reforçou seu apelo ao cessar-fogo.
O Santo Padre mencionou também todas as outras regiões em conflito: Ucrânia, Líbano, Síria, Miamar, Azerbaijão, Armênia, Chifre da África, República Democrática do Congo, Venezuela e Guiana.
Francisco lembrou que esse tipo de guerra, não se reserva a soldados, mas todos os civis são atingidos. E evidenciou que a violação do direito internacional humanitário é considerada crime de guerra.
“Se conseguíssemos fixar cada uma das vítimas nos olhos, veríamos a guerra como ela é: nada mais que uma enorme tragédia e ‘um massacre inútil’, que fere a dignidade de toda a pessoa nesta terra”.
E reforçou que “ainda que se trate de exercer o direito de autodefesa, é indispensável respeitar o uso proporcional da força”.
O pontífice também falou que a quantidade de armas disponíveis contribui para uma certa facilidade de conflitos e guerras.
“Quantas vidas se poderiam salvar com os recursos atualmente destinados aos armamentos? Não seria melhor investi-los a favor de uma verdadeira segurança global?”.
Ele renovou a sua proposta de constituir um fundo mundial para eliminar a fome e promover um desenvolvimento sustentável de todo o planeta. E reiterou mais uma vez “a imoralidade de fabricar e possuir armas nucleares”.
A necessidade do Jubileu
Papa Francisco concluiu sua dissertação lembrando do Jubileu da Igreja, que terá início no Natal de 2024 e destacou sua importância.
“Talvez hoje, mais do que nunca, tenhamos necessidade do ano jubilar”, e completou afirmando que “o Jubileu é o anúncio de que Deus nunca abandona o seu povo e mantém sempre abertas as portas do seu Reino”.
É um tempo de justiça, em que os pecados são perdoados, a reconciliação permite superar a injustiça e a terra repousa. Pode ser para todos – cristãos e não-cristãos – o tempo para quebrar as espadas e delas fazer arados; o tempo em que uma nação não mais levantará a espada contra outra nação, nem se aprenderá mais a arte da guerra
Fonte: Vatican News