A alegria do Senhor é a nossa força

Assim, a nossa alegria não é algo que passa pelo “ter”, tornando-a uma mercadoria. Ela é um dom do Espírito e uma graça
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Muitas vezes já ouvimos: “adquira este imóvel que lhe trará mais conforto e bem-estar”, “conheça esse medicamento que te proporcionará mais alegria e felicidade”, “veja este vídeo todos os dias que te ajudará a não ficar mais triste”. Percebemos que uma certa alegria, externa a nós, fácil e rápida, nos é ofertada diariamente, como que estivesse eliminando a tristeza ou a angústia da vida e como se elas não fizessem parte de nós.

Todo sentimento é importante para o ser humano, porque ele nos motiva a (re)agir de alguma forma perante os acontecimentos da vida. Por isso, precisamos discernir e nomeá-lo. Como é o caso da alegria, que tem um potencial contagiante enorme em nós e em nossa cultura, afinal quem não quer ser alegre e feliz na vida? Porém, esta alegria tem um sentido mais especial e profundo para o cristão. Na perspectiva da fé e a exemplo dos discípulos, a verdadeira alegria se dá no encontro e no reconhecimento de Jesus Cristo (cf. Jo 20, 20), bem como na esperança de sua ressurreição que, por seu Espírito, está prometida a nós (cf. At 17, 30-31). Deste modo, precisamos nos encontrar constantemente com o Mestre, que deseja se encontrar conosco.

Na primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco, denominada Evangelii gaudium (A Alegria do Evangelho), em novembro de 2013, foi tratado desse assunto. O pontífice nos oferece boas reflexões e práticas sobre a importância do anúncio do Evangelho no mundo atual, visto que é a maneira por excelência pela qual encontramos com o Mestre Jesus na oração e na celebração em comunidade. Também os santos e os primeiros mártires da Igreja nos revelam o quanto esta alegria evangélica unida ao Senhor nos fortalece (cf. Fl 4,4). Isso não significa que se afasta da cruz, provação ou dificuldades. Pelo contrário, as aceita com um sentido fecundo de confiança, fé, esperança e oferenda a Deus, permitindo ser conduzido pelo Espírito Santo e percebendo que nesta vida “ tudo passa, só Deus basta”. Santa Teresa de Calcutá abraçou essa alegria cristã ao dizer que “não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”.

Assim, a nossa alegria não é algo que passa pelo “ ter”, tornando-a uma mercadoria. Ela é um dom do Espírito e uma graça, resultado do encontro com o Senhor Ressuscitado, que nos ajuda a viver, com alegria, a vida como ela é, de modo livre, criativo e contagiante. Por esse motivo, ao final da missa, o padre ou o diácono diz: “a alegria do Senhor seja a vossa força, ide em paz e o Senhor vos acompanhe”, e todos os fiéis participantes respondem: “ graças a Deus”.

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