O maná

Depois da travessia do Mar Vermelho, a estrada ainda é longa
Imagem Jornada Biblica O Mana no deserto do artigo O maná

Depois da travessia do Mar Vermelho, a estrada ainda é longa

Por Felipe Koller

Serão quarenta anos no deserto — uma geração. O Senhor, nesse tempo, deseja formar um povo. Ele não arrancou os hebreus da escravidão para que eles passassem a viver uma liberdade individualista: a verdadeira liberdade acontece como vida fraterna. O deserto será essa escola da comunhão.

A educação para a comunhão começa pela barriga. O alimento pode ser ocasião de disputa. Vemos isso nas birras das crianças e nas guerras que assolam o mundo, mas também em nossa própria vida: nem sempre nossos olhos enxergam o alimento como dom, como lugar de comunhão com Deus, com a terra e com os irmãos.

O Senhor educa Israel para essa mentalidade do dom enviando o pão de cada dia, o necessário para cada um, impossível de estocar para si. Assim, o maná e as codornizes inscrevem o alimento no âmbito da comunhão, arrancando-o do âmbito do individualismo. Fazem Israel comer de mãos elevadas, com gratidão e confiança. O alimento se torna símbolo da relação com Deus. Torna-se ação de graças.

“Ação de graças” é precisamente o sentido da palavra de origem grega Eucaristia. Tendo atravessado as águas do batismo, somos novo povo de Deus. Nossa escola de comunhão também começa na mesa: no altar da Eucaristia, todos comemos do mesmo pão e bebemos do mesmo cálice. Ali não há privilegiados nem excluídos; não há quem se empanturre nem quem fique com fome. Jesus, o pão da vida, se faz alimento para todos.

A liturgia forma-nos para a vida. Aquilo que vivemos ao redor do altar suscita em nós uma atitude eucarística diante de toda a realidade que nos circunda lá fora: uma disposição de ação de graças ao Pai, de cuidado com a terra que nos dá o alimento de comunhão fraterna.

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