Líderes cristãos e de outras religiões meditaram e oraram pedindo a Deus mais união entre os povos através do diálogo
Ao final da segunda sessão desta quarta-feira (26) de trabalhos na 60ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), os bispos receberam representantes de diferentes igrejas para uma celebração inter-religiosa.
Leia Mais
No Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, no Santuário Nacional de Aparecida, Dom Manoel João Francisco, presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB, presidiu o rito.
A tradicional celebração, sempre realizada durante as Assembleias Gerais, teve a participação de oito lideranças religiosas: o bispo Cezar Fernandes Alves, da Igreja Anglicana; o muçulmano Átila Kus; a presbiteriana Eleni Rangel, vice-presidente da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE); Sheikh Mohamad Al Bukai, da União Nacional Islâmica; o rabino Raul Meyer, líder judeu; Pastor Jair Alves, da Igreja Metodista, a presbítera Anita Wright Torres, vice-presidente do Conselho Nacional das Igrejas Cristas (Conic) e o Pastor Alberi Neumann, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.
Para Dom Manoel, esses momentos de reunir diferentes crenças criam afeição e proporcionam conhecimento para todos.
“Refletem a comunhão entre as várias religiões e de toda a humanidade. Todas as religiões são expressão de Deus e todas buscam fazer o bem e espalhar o bem. Podemos e devemos nos reunir e trabalhar pela paz, pela humanização, para criar um mundo que se possa viver em plenitude”.
O bispo Anglicano Cezar Alves aproveitou a oportunidade de estar no encontro do episcopado brasileiro para celebrar os 40 anos da Comissão Nacional Anglicano-Católica Romana (Conac), que tem como principal objetivo estreitar a relação fraterna entre as duas igrejas, mediante o diálogo sobre temas de interesse comum.
“Trago minha saudação fraterna e rendo graças por esse diálogo perseverante entre nós e vocês católicos. Deus abençoe os trabalhos desta Assembleia e as dioceses representadas por cada um de vocês”.
O rabino Meyer, diretor da Academia de Estudos Judaicos da Congregação Israelita Paulista, agradeceu a todos por estar presente num momento de diálogo e fraternidade:
“Shalom a todos! E quero agradecer a Deus pelo honroso convite! Como é bom e agradável quando irmãos estão juntos em harmonia! E com uma bênção especial que envio a vocês:’ Bendito sejas Tu, nosso Deus Rei do Universo, que nos destes vida’ e pode nos permitir viver esse momento tão especial”.
Diálogo que gera a paz
A reflexão do momento oracional ficou a cargo do Sheikh Al Bukai, que logo de início enfatizou a importância de reunir diferentes credos em busca de uma convivência pacífica.
“Quero parabenizar a Igreja Católica por criar esses canais de diálogo conosco! Na verdade, esse diálogo iniciou há séculos e está nos versículos do nosso Alcorão, que nos orientam a conversar de uma melhor forma com os irmãos judeus e cristãos. Temos um Criador, e cremos naquilo que foi revelado a nós e a vós. Nosso Deus e Vosso Deus é único, e é com Ele que nos submetemos”.
Para o sheikh, é importante a união para sempre buscar paz e justiça ao ser humano, e ensinar essa humanidade através da fé.
“O trabalho de tentar unir nossas comunidades para combater qualquer violência e injustiça é constante. Hoje, antes da religião, precisamos humanizar as pessoas. Não adianta ensinar religião para alguém que não está humanizado. Precisamos começar pela humanização das pessoas para que, quando praticarem a religião, não importa qual seja, seja humanizada”, concluiu.
O novo presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler fez questão de agradecer a presença dos líderes religiosos para que juntos possamos sempre orar por um mundo mais irmão.
“Construir a paz, fazer paz! Construir pontes para trazer tudo aquilo que a paz representa e nos proporciona em vista da possibilidade de deixar nossa realidade em nosso Brasil um pouco melhor para futuras gerações, onde a paz e a justiça atinja a todos, principalmente os mais pobres”.
Padre Camilo explica a diferença entre diálogo ecumênico e inter-religioso