Já os mosaicos da Fachada Norte do Santuário levam-nos ao coração de nosso Deus, que Se acha retratado na cena mais alta e central de toda a Fachada, como “Alguém sentado no trono”. Como o único e exclusivo Soberano a reger os rumos da História (Ap 4).
A Fachada Sul retrata a continuação da História e sob Sua mesma regência. Ele Se faz indispensavelmente presente, pois ainda não viu Seus sonhos para a humanidade plenamente realizados, e deles Ele não abre mão.
Seu povo sofria a escravidão no Egito, e Ele “ouviu seu gemido e lembrou-se da sua aliança com Abraão, Isaac e Jacó. Deus olhou para os israelitas e pensou neles” (Ex 2,24s). Mesmo antes da Aliança no Sinai, aquele era já Seu povo querido: “eu vi, eu vi a miséria de meu povo no Egito e ouvi o clamor que lhe arrancam seus opressores, sim, conheço suas aflições” (3,7).
Esse povo arrancado do Egito, Ele o queria livre de todas as escravidões para estar a Seu serviço! Um povo missionário, sempre a Seu dispor. Povo-encarnação de Seu amor, de Sua própria vida divina feliz, que Ele queria, através do povo, oferecer à inteira humanidade.
Que maravilhosa bênção Jesus nos traz: resgata-nos, constituindo-nos filhos de Deus por adoção. Unindo-nos a Ele, o Filho de Deus por natureza, faz de nós os filhos e filhas adotivos do mesmo Deus! assim também nos constitui no autêntico povo de Deus, em Seu povo missionário entre as nações.
Sonho que ocupava Seu divino-paterno coração já ao chamar Abraão, o grande patriarca desse mesmo povo: “(Abrão) sai de tua terra, de tua família e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostra- rei. “Farei de ti uma grande nação e te abençoarei, engrandecerei teu nome e tu serás uma bênção… “Em ti serão abençoadas todas as famílias da terra” (Gn 12,1-2.3b).
Sonho atravessando séculos, mas sem plena realização. Às vezes até com reveses, retrocessos devidos a fraquezas e infidelidades de seus portadores, os filhos e filhas de Abraão. Mas, um dia Ele teve na terra, um autêntico Descendente de Abraão, e muito mais que isso, pois superava infinitamente o grande Patriarca!
Sim, pela porta que Ele encontra escancarada na pronta disponibilidade da Virgem de Nazaré, Seu próprio unigênito e eterno Filho Se faz aquele ansiado Descendente: “quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à lei, “para resgatar os que estavam sujeitos à lei, a fim de recebermos a adoção filial” (Gl 4,4s). Sim, Jesus mantém-Se “Seu Filho”, mas faz-Se também plenamente Filho de Abraão, pois “nascido de uma mulher”!
Liberto da escravidão egípcia, já a partir da Aliança que com ele fizera aos pés do Sinai, eis a expectativa que alimentava a seu respeito: “sereis entre todos os povos meu tesouro particular porque toda a terra é minha, “e vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa” (Ex 19,5b.6a).
“Nação santa” que fosse a abençoada descendência de Abraão a ser bênção para a humanidade. Que, por isso mesmo, fosse o “reino de sacerdotes” a santificar, divinizar as demais nações. Fosse a bênção divina, essa adoção filial que, através do povo, Deus estendia a todo ser humano.
Condições de acolher essa bênção e de levá-la a todos, Deus nos dá com o envio de Seu Espírito: “E porque sois filhos, Deus enviou para nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: ‘Abbá!’ Papai!” (v.5; cf. 1Co 12,3).
• Meu próximo tem chance e atrativo para ser bom porque com ele convivo eu, membro do povo santo, sacerdotal e missionário de Deus?
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