História da Igreja na América Latina: A evolução da Teologia

Como as verdades cristãs eram apresentadas ao povo e como se deu o ensino da Teologia nos colégios e primeiras faculdades.

PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA AMÉRICA LATINA
Parte 25

Como se falava e como se ensinava as “coisas de Deus”

Estamos quase concluindo a apresentação da História da Igreja na América Latina, no período conhecido como Cristandade Latino-Americana. Mais alguns poucos artigos e daremos início ao estudo de um novo período de nossa história. Por hoje nos toca estudar um pouquinho a evolução da Teologia em nosso continente, incluindo a maneira como as verdades cristãs eram apresentadas ao povo e como se deu o ensino da Teologia nos colégios e primeiras faculdades. 

História da Teologia na América Latina

A teologia enquanto processo de reflexão que fechava a estrutura da cristandade viveu três fases distintas no período colonial ou tempo da Cristandade Latino-Americana:

A)  Com as primeiras gerações de colonizadores e de evangelizadores veio a reflexão teológica que avaliava a conquista e evangelização das Américas (século XVI).

B)    Com a estabilização e aprofundamento do processo de colonização e com a criação das estruturas eclesiásticas como as dioceses e paróquias veio também a estabilização escolástica e acadêmica coma fundação das primeiras universidades (séculos XVI-XVIII).

C)    Mais tarde começam a surgir os primeiros sinais de uma teologia modernizante, influenciada pelo iluminismo e articulada com os interesses da burguesia europeia e criola. Este processo se afirma com a luta pela hegemonia e independência (século XVIII-XIX).

A Teologia diante da conquista e evangelização (desde 1511). Neste primeiro período formam-se duas correntes bastante antagônicas: Uma linha mais profética-libertadora vê com olhos críticos a conquista, sobretudo, por causa dos métodos mais brutais de exploração. Esta linha da teologia profética-libertadora nasceu da luta e do confronto com a dura realidade vivida nas colônias, combatendo o pecado sócio-político do momento da conquista, especialmente com a luta contra a escravidão. Era uma Teologia que visava a formação dos missionários e buscava iluminar os reis na elaboração das leis.

O exemplo da oposição dessas duas correntes se deu com a diferença entre o Frei Bartolomeu de Las Casas x Juan Ginés de Sepúlveda que chegava a justificar a escravidão natural do índio.

Primeira Universidade do Brasil


Nasceu em Salvador (BA) a primeira universidade do Brasil, graças à ação dos jesuítas. 

Teologia Acadêmica da Cristandade Colonial (1553-1808)

Com a fundação das universidades do México (1553) e Lima (1551) se deu a inauguração acadêmica com o ensino da Teologia na América Latina. Em pouco mais de 200 anos, até 1775, na faculdade do México, 1162 alunos já haviam alcançado o título de doutor.

Como havia acontecido na Europa, aqui também as faculdades giravam ao redor da Teologia e, a princípio, as Sagradas Escrituras, decretos e cânones, artes, leis, gramática, retórica e eloquência eram as principais matérias ensinadas.

A Universidade Nacional Maior de São Marcos, criada no dia 12 de maio de 1551, em Lima, Peru, é uma das mais antigas do mundo, e nunca parou de funcionar desde a sua criação. O curso mais antigo é o de Teologia, concebido para formar os clérigos da região. O escritor Mario Vagas Llosa é um dos nomes mais conhecidos que estudaram nesta universidade.

A partir de 1622 diversos colégios transformaram-se centros universitários. Em Lima os cursos começavam na segunda quinzena de outubro e terminavam em fins de julho, com aulas de manhã e à tarde. Aos sábados aconteciam as defesas de teses, exames e as disputas.

Na Filosofia reinava soberano Aristóteles e na Teologia predominavam os escritos e a obras de São Tomás de Aquino, naquilo que é chamado de Segunda Escolástica.

As maiores bibliotecas (dos Jesuítas) chegavam a alcançar até 20 mil volumes com a maioria das obras cientificas e literárias generalizadas na Europa.

Como também acontecia nos outros campos do ser e do agir eclesiástico, também o ensino da Teologia sofre algumas críticas. O primeiro argumento contrário é a falta de originalidade, com a ausência quase que total de inovações, reduzindo-se à cópia da Teologia Escolástica.

Outra crítica se faz em relação ao elemento ideológico da Teologia que servia de justificação e sustento do regime colonial e até mesmo de seus vícios e erros.

Nem Espanha e nem Portugal tinham grande interesse de incentivar os estudos universitários, daí se explica também a falta de recursos e de inventividade no campo teológico. Na parte da Espanha havia a influência das universidades de Alcalá e Salamanca. Por parte de Portugal havia a forte influência das Universidades de Coimbra e Évora. 

Em relação aos espanhóis, os portugueses tomaram atitudes diferentes no que se refere à implantação das universidades no Brasil e em terras colonizadas por eles. Entre nós, foi lento o avanço das universidades, desde o período da Colônia até a Primeira República. Na ordem política-religiosa, a preocupação maior era a de estabelecer um ensino que atendesse aos interesses da elite colonial portuguesa, filhos de portugueses nascidos no Brasil. 

Universidade de São Marcos em Lima


A Universidade São Marcos de Lima é a pioneira das Américas.

Nomes de projeção

Foto de: reprodução. 

Bartolomeu de Las Casas

Entre os expoentes da Teologia colonial
desponta o Frei dominicano
Bartolomeu de Las Casas.

Na primeira fase da história brasileira o destaque fica com o Pe. Antônio Vieira (1608-1615). Na América Espanhola destacam-se Antônio Rúbio (1548-1615), Pedro de La Penã, OP (+1583), Bartolomé de Ledesna, OP (+1604), Pedro de Ortigosa, SJ (+1626), Juan de Ledesna (+1636), Esteban de Salazar, OSA.

Fases da História da Teologia – Visão complexiva

Teologia na época da cristandade colonial (1492-1808)

  • Teologia Indígena.- Teologia Profético-Libertadora.- Escolástica Colonial.- O Barroco – Transição e Ecletismo (século XVII).- O Iluminismo Americano (século XVIII).- Preparação do movimento de independência.
  • Teologia durante a independência e formação das novas repúblicas (1808-1880). Momento de crise da cristandade colonial.- A teologia no período Liberal-Oligárquico (1880-1930) – Neocristandade conservadora.- Teologia durante o período Populista-Desenvolvimentista (1930-1960) – Neocristandade reformista.
  • Período de Nascimento (1960-1988)- Período da primeira sistematização (1968-1976).- Período de Expansão (1976-1984)- Período de amadurecimento e discernimento (a partir de 1984)

Teologia na época da Neocristandade (1808-1960)

Rumo a uma Teologia Latino-Americana de Libertação (1960)

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