Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra” (Gn 1,26).
O homem foi criado a partir de todo o material dos primeiros seis dias da Criação, mas de um modo diferente. Deus moldou o material dos seis dias e sopra Seu Espírito que é Sua própria Vida. O homem recebe o sopro pessoal de Deus, isso significa que o homem não é simplesmente um corpo de material como as outras criaturas vivas, mas é feito à imagem de Deus, seu corpo está destinado à gloria.
No mosaico observa-se que no cinturão do Pai está o Cordeiro com o Alfa e o Ômega. Adão e Eva estão voltados um para o outro e ambos se voltam a Deus, que está vestido com um manto que é glória (cf. Ez 16), ou seja, a Sua manifestação. Com essa vestimenta, as criaturas dos primeiros dias expressam a beleza da Criação, formando quase uma decoração.
O rosto de Adão remete ao rosto de Cristo, e ele aponta para a ferida do seu peito pela sua costela removida. Essa imagem — de Adão que vai em busca da sua costela e Eva que está retornando ao lugar de onde ela foi tirada —, se refere a Cristo como a nova humanidade.
Na criação de Adão e Eva, o Pai cria contemplando o Filho e, assim, já prenuncia aquilo que será o cumprimento do homem no novo Adão, o Cristo.
Eva já prefigura a Igreja, ou seja, a humanidade, que acolhendo Cristo com o batismo passa a fazer parte e, assim, retorna ao lugar de onde foi tirada. O homem foi criado enquanto o Pai contempla o Filho e a humanidade retorna à filiação, como filhos de Deus.