Há promessas esquecidas, que ficaram para trás, pois eram vazias, ditas por conveniência e não por decisão serena e madura
As promessas vazias fragmentam as pessoas, e são semelhantes às fake news, nome bonito de dizer para esconder a calamidade que são. São deterioração do homem, que deseja ver a destruição do outro por meio da mentira, para alcançar seus intentos. Será que terá paz de consciência? A consciência não tem pressa, tanto quanto a história, porém, jamais deixará de se fazer presente na hora e no tempo certos.
Carregamos dentro de nós esses fragmentos existenciais, que nos fazem, às vezes, nos sentir poeira no universo, que vai para onde desejar o sabor do vento. E nesse emaranhado de nosso existir temos de encontrar o fio da meada de nossos dramas existenciais.
Infelizmente encontramos com facilidade pessoas fragmentadas. Jesus, no Evangelho, também as encontrou, e não foram poucas, mas Ele estendeu-lhes as mãos e as fez reconstruir-se inteiramente e de modo digno e libertador. Essa é a verdade do Evangelho que está diante de nossos olhos, e vem ao encontro de nossa própria realidade em nossos dias. Evangelho será sempre Boa Nova, boa notícia, integração e não fragmentação.
A maior fragmentação em nosso tempo é a falta de amor. Nossos diálogos eletrônicos, tão ao alcance de todos nas redes sociais, não nos dão o calor humano, o vis a vis, que nos leva à comunhão com o outro, comunhão na causa, nos sentimentos, nos gestos de acolhida e amorosidade que reconstrói o outro. Ou será que essa ansiedade de contato nas redes sociais não nos revela exatamente o que se passa em nosso interior? Não será um grito de pedido para o amor autêntico, amor ágape? Se olharmos e pensarmos bem, vamos encontrar exatamente o grito de quem está fragmentado interiormente.
Ampliemos nossa visão: A fragmentação não é o nada. Ela nos dá a bela e estonteante liberdade de podermos nos reconstruir, nos refazer. Mesmo no meio das cinzas, ainda se poderá encontrar uma pequena brasa que fará reacender toda a fogueira. Então se o sol está opaco e a noite carregada de neblina, não significa que o sol desapareceu, pois certamente ele despontará radiante em um novo dia. Essa dor existencial da fragmentação, poderá assemelhar-se à mamãe que “sofre” ao dar a luz, mas se alegra ao tomar seu novo ser em seus braços, aquele que foi embalado durante nove meses em seu seio materno.
A ação amorosa do Cristo nos reconstrói, como reconstruiu a vida de todos os que o encontraram na antiga Palestina. Ele nos dá a mesma oportunidade e age do mesmo jeito conosco. Por isso, será sempre possível se reconstruir. Só não podemos deixar passar em vão a hora da graça divina, e nos refazermos de toda fragmentação que tenha nos tomado. Ele é o sol do novo dia em nossa existência.