A última semana de Jesus: do hosana ao seja crucificado!

Na sua última semana, Jesus foi acolhido em Jerusalém com hosanas: vivas e súplicas. Dois dias depois, foi pedida a sua morte na cruz!
Imagem Domingo de Ramos 2022 do artigo A última semana de Jesus: do hosana ao seja crucificado!

Na Semana Santa os pregadores dramatizam nos sermões esta mudança tão ilógica e apontam nossas incoerências. Mas, o que nos interessa é a questão de fé subjacente no texto bíblico. A Semana Santa é hoje! Temos a chance de renovar e aprimorar a adesão de fé em Jesus, o Messias. As reflexões e cultos não são apenas para reprovar atitudes contraditórias em nossa vivência espiritual. É esperançoso dizer que, apesar da concorrência do feriado prolongado e da descrença generalizada na vida social, as cerimônias da Semana Santa são vividas e aproveitadas nas comunidades. Entretanto, já em si mesmas, as celebrações da Semana Maior revelam o contraste desafiador para o cristão(ã) de hoje. De um lado, as alegrias da fé partilhada com júbilo pelo povo. De outro, a alienação dos que ficam ausentes das igrejas e presentes nas diversões, passeios e festejos. Aliás, a narrativa do Evangelho, que recorda a última semana de vida de Jesus, tem um cenário de confronto decisivo: dele, Jesus, com as elites de poder civil-religioso. Seguido por seus discípulos, Jesus entrou com ares triunfantes na aparência, em Jerusalém a capital judaica, a cidade santa representativa da Primeira Aliança do povo bíblico com Deus. Estava em questão a expectativa bíblica da vinda do Messias prometido e tão esperado. Ele não foi aclamado e logo rejeitado só devido à natureza humana volúvel. A festa da Páscoa motivava as romarias ao Templo. A entrada e o cortejo aconteceram como romaria improvisada. Os galileus, sempre mais belicosos e revoltados com sua marginalidade. Os discípulos de Jesus de Nazaré e os peregrinos foram se enturmando atrás dele. O fervor popular vibrou nas aclamações suplicantes do Salmo 118. O entusiasmo expresso no pedido bíblico de socorro: Hosana! Que o Messias venha nos salvar! Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor. Alguns cortavam ramos das árvores para aclamá-lo. Outros forravam as ruas com suas vestes para ele passar! A ressonância da alegria era messiânica! O Rei chegava e com ele a salvação esperada! Mas, o Messias vinha montado num jumentinho, em contraste com a vibração popular. O texto nos convoca: seguir Jesus não comporta adesão por conveniências, simpatias, sentimentalismos. Os hosanas do discípulo-missionário não soarão falsos se nos crucificarem para ressuscitarmos com Ele. A Páscoa é o fruto dessa vitória libertadora.

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