“Deus disse: “Fervilhem as águas um fervilhar de seres vivos e que as aves voem acima da terra, sob o firmamento do céu” (Gn 1,20).
Os peixes vivem na água e morrem fora dela. Na Sagrada Escritura, o mar representa um mundo escuro, impenetrável e, portanto, inacessível, cheio de monstros marinhos e coisas que se movem na água. O mar suscita medo, no entanto até mesmo o mar e seus habitantes são destinados a dar glória a Deus (cf. Dn 3,79).
Pelo Batismo, Cristo nos pesca e nos salva das águas escuras do mal, colocando-nos na Jerusalém celeste, onde o mar é cristalino (Ap 15,2). Se antes éramos criados, agora somos gerados da Jerusalém celeste, que é livre e é a Mãe de todos nós (cf. Gl 4,26).
Para a imagem da criação dos peixes, apresenta-se a “pesca milagrosa” (Jo 21,1-25) que narra o episódio em que Pedro salta do barco com a rede cheia de peixes, reconhecendo na praia o Cristo ressuscitado que já está esperando com o peixe no fogo. Os antigos cristãos reconheceram no peixe o símbolo de Cristo, servindo-se da palavra grega Ichthys (ιχθύς) para exprimir o acróstico “Jesus Cristo Filho de Deus Salvador”.
A rede cheia de peixes significa a Igreja, a nova humanidade que vive a natureza humana com ágape, em comunhão com Deus, Pai, Filho e Espírito Santo e com todos os irmãos e irmãs, porque “aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo” (Jo 17,24). “Eu neles e vós em mim, para que sejam perfeitos na unidade” (Jo 17,23).
Pedro leva a rede para a outra margem onde está o ressuscitado. Essa é a meta, o cumprimento, chegar ao Reino, à Jerusalém celeste. A troca de peixes, um vermelho e um azul, expressa exatamente esse mistério. O verdadeiro significado da existência é cumprido: o homem participa plenamente da divina humanidade.