No Espírito, a sociedade paradisíaca (Lc 4,14-21)

De Seu Filho, “nascido de uma mulher”, o Pai esperava, com Ele e a partir d’Ele, inaugurar a humanidade, vivendo já na terra Sua própria vida trinitária
Imagem Jesus abre o rolo da Lei do artigo No Espírito, a sociedade paradisíaca (Lc 4,14-21)

De Seu Filho, “nascido de uma mulher”, o Pai esperava, com Ele e a partir d’Ele, inaugurar a humanidade, vivendo já na terra Sua própria vida trinitária

No mês passado, víamos que em Jesus, na força do Espírito, o Pai nos adotou como filhos e filhas. Em nós, queria coração, atitudes o mais semelhantes possível aos Seus. Em nós, queria ver o céu, o Seu Reino, antecipando-se aqui na terra.

É na Galileia, na periferia do país, e mais, na minúscula e desconhecida aldeiazinha de Nazaré que Jesus inaugura essa missão de implantar no coração da humanidade aquele Reino. “Com a força do Espírito Santo”, num sábado, conforme Seu costume, está Ele na sinagoga. Para a assembleia lê, do Profeta Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim porque me ungiu para evangelizar os pobres, mandou-me anunciar aos cativos a libertação, aos cegos a recuperação da vista, pôr em liberdade os oprimidos “e proclamar um ano de graça do Senhor”.

O “Egito” das escravidões teimosamente resistia por séculos no coração do povo de Deus, gerando em seu seio escravizadores e escravizados, os “pobres, cativos, cegos, oprimidos”! A estes roubados em seu divino direito de viver com dignidade “numa terra boa e espaçosa, terra onde corre leite e mel” (Êx 3,8), Jesus traz a Boa Notícia, a esperança de divinos dias. Proclama-lhes “um ano de graça do Senhor”, um ano jubilar quando todas as dívidas seriam perdoadas, e definitivamente derrubado todo muro que resistisse separando e opondo irmãos a irmãos.

Jesus, porém, não só anunciava esperança. Não, a partir de Suas próprias atitudes de benevolência, serviço, perdão, dignificação de todo ser humano empobrecido, Ele já estava vivendo e ao mesmo tempo propondo aquele Reino. Já começa a realizar a esperança que anuncia: “Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura diante de vós”!

O ano jubilar devia acontecer a cada 49 anos (7×7 anos). Mas, Jesus inaugura Seu jubileu que deve ser constante, de todos os dias, ininterrupto para Ele e Seus seguidores seja onde for, até quando existirem “pobres, cativos, cegos, oprimidos”, um empobrecido em Seu e nosso caminho. “De modo algum sejamos maus administradores dos bens que nos foram concedidos pela graça divina a fim de não ouvirmos a repreensão de Pedro: ‘Envergonhai-vos, vós que vos apoderais do que não é vosso; imitai a justiça de Deus (sol para maus e bons) e assim ninguém será pobre’” (São Gregório de Nazianzo).

Este paraíso era o que o Pai já buscava quando nos cria à Sua imagem e segundo Sua semelhança. Sim, quando chama a nós-humanos à vida, coroando Seu projeto criador, e contemplando “tudo que havia feito, (viu que) era muito bom” (Gn 1,31a). Homem-Mulher, imagens Suas, filho e filha Seus, imprimindo marca divina na inteira criação, isso “era muito bom”, o que sempre sonhara!

“Na força do Espírito Santo”, a partir do Filho Jesus, sermos hoje a realização da Boa Notícia, na solidariedade que leve inclusão social, religiosa, econômica aos ainda marginalizados em sua dignidade humana! Até a plena consumação desse divino sonho junto d’Ele mesmo, no seio da Trindade!

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  • É escassez de alimento que causa tanta fome no mundo?
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