A oração é o alimento de nossa alma
Neste tempo quaresmal da liturgia da Igreja temos o privilégio de intensificar ainda mais nossa vida de oração, jejum e esmola (caridade). Sem dúvida alguma são dimensões que nos farão crescer enquanto pessoas, mas sobretudo como fiéis discípulos de Jesus Cristo. Nesse sentido queremos aprender algo de Santo Afonso, especificamente sobre a oração, pois ele muito nos ensina sobre como rezar e porque rezar.
Ora, um dado empírico é que gostamos de estar na companhia de quem amamos e de gastar tempo e atenção para com a pessoa amada! Se isso é salutar e importante no nível das relações interpessoais, como não valorizar da mesma forma quando se trata de estar em comunhão com o nosso Criador e Pai?! O próprio Jesus se colocava em contato íntimo com Deus a fim de realizar sua vontade, isto é, para cumprir com fidelidade a missão que o Pai lhe havia confiado! Se o próprio homem-Deus sentia essa necessidade e se dava ao direito de reservar tempo para isso, quanto mais nós que somos criaturas limitadas, finitas e sujeitas a tantas peripécias e agruras!
A oração é uma atitude de sintonizar-se com o Transcendente que nos acolhe em seu amor, mas que fala também ao nosso coração. A partir da sinceridade desse diálogo transparece nossa confiança e abandono incondicional ao mistério que é Deus! Jamais a oração deverá ser motivada em obrigar a Deus a fazer nossa vontade, mas pelo contrário, devemos descobrir qual é a vontade de Deus para nós e os sinais de sua presença em nossa vida e história. Afinal, Santo Afonso nos admoesta que “não somos senão pobres mendigos, que tanto temos quanto recebemos de Deus como esmola; ‘Eu, porém, sou pobre e mendigo’” (Sl 40,18). A oração é o nosso alimento, pois a certeza de nos sentirmos e experimentarmo-nos amados e queridos por Deus nos sustenta diante dos desafios e incertezas da vida!
Portanto, temos motivos mais que suficientes para nos entregarmos com generosidade de alma nesse diálogo profundo com nosso Deus. Em nossa condição de pobreza ontológica muito seremos enriquecidos por sua graça e misericórdia. Além de sermos mais configurados à sua semelhança! Pois é sempre um retorno à nossa própria origem e condição! De modo que a oração só tem a nos beneficiar e enriquecer, pois quem reza de verdade se converte cada vez mais a Deus e à prática do bem em benefício dos irmãos!