Estamos em um mês especial, pois agosto é o mês das vocações e estamos vivendo o ano vocacional em nossa Igreja do Brasil. Nesse sentido, toda realização vocacional é um caminho para a santidade, que passa por constantes discernimentos, isto é, por uma caminhada de vida com reflexões e mudanças pessoais, para se buscar fazer as escolhas mais acertadas e justas possíveis. É o que acontece com a vocação à paternidade, a qual celebramos no segundo domingo deste mês.
No decorrer da história, a figura paterna foi ganhando vários contornos sociais. Na Grécia antiga, a terminologia “paternidade” era associada à divindade, aos reis ou autoridades políticas, que exerciam uma certa “autoridade” numa porção da sociedade ou grupo. Assim, historicamente, a figura masculina dentro da família foi ganhando esse tipo de caracterização. Daí a decorrência de algumas culturas terem o pai como a figura central e soberana na família, haja vista sua responsabilidade pelos trabalhos externos e pela subsistência financeira. Enquanto a mulher, no seio familiar, por meio da figura materna, exercia a função de doméstica e educadora dos filhos exclusivamente.
De modo geral, a partir da Revolução Industrial, as mulheres começaram a desempenhar trabalhos externos ao doméstico. Por conseguinte, diversos movimentos sociais, feministas e trabalhistas, realizados pela Europa e Estados Unidos, borbulharam reflexões acerca dos gêneros masculino e feminino na sociedade, dos papéis da maternidade e da paternidade, e da independência da mulher, frente às crescentes possibilidades de estudos e aceitação de suas escolhas pessoais. A compreensão de paternidade como a única “autoridade” familiar foi perdendo terreno, para assumir uma caracterização mais igualitária com relação à figura materna, quanto aos deveres e responsabilidades sociais a serem exercidos.
No nosso século XXI, pai e mãe podem, e precisam, dividir suas funções na educação dos filhos, nos trabalhos externos ou domésticos da casa diariamente. Portanto, um dos desafios da paternidade é quebrar o conceito de que “pai” é sinônimo de “autoridade máxima” na família, bem como o preconceito de que é o único a poder mantê-la economicamente ou trabalhar fora de casa, configurando isso como machismo para os dias de hoje. Outro desafio é converter o papel social de um “pai provedor” para um pai cuja paternidade é moldada no diálogo, na participação e presença na vida da mãe e do filho, assumindo sua vocação de forma mais ativa e afetiva.
Ter filho é fácil, mas ser pai é desafiador e santificador. Então, o nosso carinho e amor para todos os papais que assumem sua vocação com honestidade e humanidade. Se já vive assim, parabéns e perseverança! Se ainda não, coragem e confiança, pois quando há o desejo de fortalecer os vínculos na família sempre haverá tempo e espaço para aprendizados e renovações. Como diz Fábio Júnior no final de sua canção “Pai”: “nem você, nem ninguém tá sozinho. Você faz parte desse caminho que hoje eu sigo em paz”.