Entre fé e compromisso com a verdade, o jornalismo transformou a informação em instrumento de evangelização, cidadania e proximidade com o povo.
Uma emissora da Igreja Católica evangeliza também quando informa. Ao formar o senso crítico e provocar os ouvintes a tomarem posição diante dos fatos, o jornalismo torna-se instrumento de fé, cidadania e compromisso com a verdade. Essa sempre foi a marca da Rádio Aparecida ao longo de sua história.
Fundada em 1951, a emissora surgiu em um período em que o radiojornalismo brasileiro já estava em processo de estruturação por meio dos jornais falados. Ainda assim, na Rádio Aparecida, o jornalismo nasceu de forma simples e quase intuitiva, movido mais pela necessidade de comunicar do que por técnicas consolidadas. Nesse contexto, não havia uma orientação formal da emissora quanto aos critérios de seleção das notícias. O conteúdo era definido por quem redigia, guiado por um senso próprio de responsabilidade, cautela e até autocensura, evitando divulgar informações que pudessem causar impacto ou preocupação na população. Dessa forma, o critério adotado era essencialmente pessoal, baseado na consciência e na formação dos profissionais envolvidos na produção e apresentação do “Jornal Falado“, como cita Padre César Moreira, então presidente da UNDA-Brasil, no “A notícia do jornalismo”.
“O jornalismo da Rádio Aparecida começou de maneira muito espontânea. Acredito que não houve nenhuma preparação para este início, tanto que se partiu apenas de ideia e da necessidade de se criar um informativo da emissora. Era importante que existisse.” (Moreira, 1995, p. 40)
O primeiro passo concreto aconteceu em julho de 1958, com a estreia do Jornal Falado da Rádio Aparecida, apresentado de segunda a sábado, das 11h30 ao meio-dia. Jobair do Amaral foi o primeiro redator e locutor do programa, ao lado de profissionais que ajudaram a consolidar o jornalismo da emissora, como Rogério Braga, jornalista da primeira hora e figura importante na formação do setor.
Um aspecto singular da Rádio Aparecida foi o fato de o Departamento Esportivo ter surgido antes mesmo do Setor de Radiojornalismo, realidade incomum entre as emissoras brasileiras da época. Ainda assim, o jornalismo encontrou solo fértil para crescer, impulsionado pelo ideal missionário de seus fundadores.
A mola idealizadora do jornalismo na Emissora de Nossa Senhora foi o saudoso Padre Maurílio C. de Faria. Inconformado com o fato de a Rádio Aparecida possuir uma audiência inigualável e uma enorme penetração junto às massas, mas não contar com um setor de jornalismo estruturado, como seria o ideal.
“Do idealismo do Padre Faria e do devotamento de Geraldo Dimas Carvalho Rosas e Jobair do Amaral, seus primeiros profissionais, nasceu o Departamento de Jornalismo da Rádio de Nossa Senhora Aparecida”, como relatou o jornalista Rogério Braga.
Ao longo dos anos, o jornalismo da Rádio Aparecida cresceu de forma contínua, ampliando o tempo dedicado à informação, investindo em qualidade, linguagem acessível e compromisso ético. Sem jamais descuidar da programação religiosa, a emissora soube integrar fé e notícia, mostrando que informar também é evangelizar.
Essa experiência foi fundamental quando a Rádio Aparecida participou da formação da Rede Católica de Rádio (RCR), a partir da UNDA-Brasil, contribuindo decisivamente para consolidar um jornalismo católico forte, articulado e presente em todo o país. Já nos anos 1990, a informação tornou-se um dos pilares da potente rede de rádio construída pela emissora.
Até hoje, uma das marcas mais importantes do jornalismo da Rádio Aparecida é a participação dos ouvintes, que encontram espaço para comentar, opinar, sugerir e até criticar. Assim, a emissora reafirma seu compromisso com uma comunicação que escuta, acolhe e caminha junto com o povo, mantendo viva a missão de ser voz da Igreja no Brasil.
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