Vamos refletir sobre o Protagonista do Natal. Não, não é aquele velhinho vestido de vermelho com saco de presentes nas costas. Com a proximidade do Natal, por todos os lados nos deparamos com os enfeites anunciando o “espírito natalino”.
Eles encantam sim, mas nem sempre o Protagonista, assim como no relato bíblico, tem lugar central. Na maioria dos ambientes decorados, o verdadeiro Protagonista acaba ficando pelos cantinhos ou nem mesmo tem lugar. ” Veio para o que era Seu, e os Seus não o acolheram“ (Jo 1, 11).
O velhinho vestido de vermelho, que não é o protagonista, esse sim, reina. Tem lugares centrais e bem visíveis e imagens espalhadas para todos os lados. Ele tem uma grande e confortável poltrona, onde se senta, para ser muitas vezes fotografado ao lado das crianças… e de adultos também.
No relato do Nascimento de Jesus, o verdadeiro Natal, na estrebaria, dentro de uma manjedoura, foi o lugar que a Ele, a Maria e José, fora reservado. Não era confortável! Era onde comiam os bois e os cavalos. “Manifestou-se a graça de Deus, que nos traz a salvação para todos os homens”. (Tt 2,11).
Quem? O velhinho de roupa vermelha com saco de presentes nas costas e que tem uma poltrona confortável? Não! O “Filho do Altíssimo”, Jesus! Deus se manifestou indistintamente para todos.
São João Paulo II, em 2002, em sua homilia na noite de Natal, ensinou que:
O Menino jaz na pobreza duma manjedoura: este é o sinal de Deus. Passam os séculos e os milénios, mas o sinal permanece, e vale também para nós, homens e mulheres do terceiro milénio. É sinal de esperança para a inteira família humana; sinal de paz para os que sofrem por causa de todo gênero de conflito; sinal de libertação para os pobres e oprimidos; sinal de misericórdia para quem se encerra no círculo vicioso do pecado; sinal de amor e de consolação para quem se sente só e abandonado.
Deus se encarna na história na humanidade num estábulo de Belém. Essa é a Pedagogia de Deus, a grande escola, o impactante cenário da solidariedade, do amor, da partilha, principalmente com os que não têm lugar na hospedaria.
Em Jesus Menino, Deus nos enche de ternura, assume nossas fragilidades e limitações. Na poltrona do velhinho vestido de vermelho com sacos nas costas, todos podem sentar-se? E dentro do saco que carrega, há presente para todos?
Papa Francisco, na homilia da noite de Natal em 2016, refletiu que:
O mistério do Natal, que é luz e alegria, interpela e mexe conosco, porque é um mistério de esperança e simultaneamente de tristeza. Traz consigo um sabor de tristeza, já que o amor não é acolhido, a vida é descartada. Assim acontece a José e Maria, que encontraram as portas fechadas e puseram Jesus numa manjedoura,
Não é a intenção apontar o velhinho de roupa vermelha e que tem uma poltrona confortável como o antagonista do Menino da Manjedoura. A ludicidade faz parte da constituição humana e é uma dimensão agradável da existência.
No entanto, quando a verdade do Natal é ofuscada pela fantasia coletiva atualizando a história da estrebaria, é sinal de que precisamos ser iluminados pela Verdadeira e Grande Luz. Diante dela, até mesmo o Velhinho de roupa vermelha e saco nas costas deve se dobrar…e para ele, fique reservado, com carinho e cuidado, um cantinho na decoração de Natal.
Ao verdadeiro Protagonista, o lugar ao centro e visível. Reconduzamos Jesus ao centro de nossa história e devolvamos a Ele o protagonismo do Natal. A propósito, postemos muitas fotos junto com Ele nas redes sociais: em seu abraço, em seu colo, em seu coração! E anunciemos:
“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9, 1).