PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA
História Moderna – 14
O que no começo parecia apenas um conflito religioso, acabou se tornando uma grande luta pelo poder na Europa, com a afirmação da supremacia das grandes nações modernas com o poder concentrado nas mãos dos grandes reis.
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A Guerra dos Trinta anos começou no dia 23 de maio de 1618, na Boêmia (hoje República Tcheca). Nobres protestantes invadiram o castelo da capital e jogaram os representantes do imperador pela janela, com a intenção de demolir duas igrejas luteranas, contrariando a tão propalada liberdade religiosa. Este episódio ficou conhecido como a Defenestração de Praga. A este fato somou-se a recusa da Liga Evangélica em aceitar a eleição do imperador católico radical Ferdinando II (1578–1637). Em represália, coroou o protestante Frederico V (1596–1632) rei da Boêmia. É importante aqui lembrar que o Sacro Império Romano da nação germânica havia sido formado por Otto, o Grande, sagrado imperador pelo papa João XII em 962 – o que marcou o começo do 1º Reich, que seria dissolvido apenas em 1806.
Depois que as tropas imperiais invadiram o território boêmio e derrotaram os protestantes, Ferdinando II condenou os revoltosos à morte e confiscou os domínios de Frederico V, cancelou seu direito de príncipe eleitor, declarou abolidos os privilégios políticos e a liberdade de religião. Os demais principados protestantes do Sacro Império Romano Germânico sentiram-se ameaçados e entraram no conflito.
Na segunda fase, a guerra tomou proporções internacionais, com o ingresso da Dinamarca e da Noruega. A fase seguinte envolveu a Suécia, que acabou sendo derrotada. A última etapa da guerra envolveu diretamente a França, governada pelo rei, mas com a política fortemente influenciada pelo cardeal Richelieu, cuja política externa visava transformar a França na maior potência na Europa. A França já havia apoiado os dinamarqueses e suecos e declarou guerra à Espanha em 1635.
O conflito estendeu-se até 1648, quando a Espanha, bastante enfraquecida, aceitou a derrota. Mercenários holandeses, ingleses e espanhóis pilharam, incendiaram casas, e mataram milhares de pessoas. Quem conseguiu se livrar da morte por assassinato correu o risco de morreu de fome ou de epidemias. Os próprios soberanos reconheceram que com o avançar dos conflitos ninguém sairia vitorioso e resolveram organizar o armistício em duas frentes.
A cidade de Münster que era católica e a luterana Osnabrück foram escolhidas como sedes das tratativas de paz em 1641. Então, a partir de 1644, 150 delegados começaram seus trabalhos nas duas cidades. Mensageiros viajavam constantemente entre ambas, e também eram direcionados a Viena, Roma e outras capitais europeias.
A Alemanha saiu arrasada da guerra, com sua população reduzida de 16 para 8 milhões. No império constituído por 300 territórios soberanos, quase não sobrou mais nenhum sentimento nacional comum.
A França foi a grande vitoriosa a guerra: anexou a Alsácia e consolidou o caminho para sua expansão. Mas, a Espanha, por sua vez, prosseguiu sua luta contra os franceses até que, derrotada pela aliança franco-inglesa, aceitou a Paz dos Pirineus, em 1659, o que confirmou o declínio de sua supremacia como havia acontecido no século XVI.