A nova catedral de Notre-Dame

Notre-Dame reabre suas portas após 5 anos do incêndio. Descubra a história e a importância dessa icônica catedral gótica de Paris.
Imagem Catedral de Notre Dame do artigo A nova catedral de Notre-Dame

“A Igreja da França é chamada a reconhecer um sinal forte – e profético – que o Senhor dirige a ela em especial: a reabertura ao culto de Notre-Dame em Paris”. Papa Francisco – novembro 2024.

Mesmo com a investigação judicial sobre a origem do incêndio ainda sem conclusão, cerca de 500 artesãos trabalharam na supervisão, para garantir que o grande marco da capital francesa pudesse estar pronto para a sua reabertura.

Antes do incêndio o monumento chegava a receber 10 milhões de visitantes por ano e agora reabre suas portas pela primeira vez desde que o incêndio destruiu grande parte de sua estrutura.

A Catedral de Notre-Dame com sua arquitetura gótica característica se colocava entre as mais famosas catedrais não somente da França, mas da Europa.

Oito séculos de história

Zvonimir Atletic / Shutterstock
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Localizada no Ilê de la Cité, no curso do Rio Sena que corta a cidade de Paris, sua construção se estende por quase quatro anos.

No início da construção a cidade experimentou um grande processo de crescimento populacional e econômico. Paris era a capital dos reis da dinastia dos capetíngios que ajudava a custear o trabalho de um grande número de artesões.

Além de ser um centro comercial fervilhante, com uma multidão de mercadores, a cidade era também um centro intelectual ativo na Europa medieval. Foi o bispo de Paris que sugeriu que uma nova catedral fora construída no local da antiga catedral.

Existem evidências arqueológicas que mostram que a catedral de Notre-Dame foi construída onde já existiam outros templos religiosos, como um templo romano. Isso porque uma cidade se desenvolveu sobre uma antiga cidade romana que tinha o nome de Lutécia que também funcionava como uma fortificação militar.

Ao longo de oito séculos de história a catedral foi reformada várias vezes e a mais abrangente aconteceu em meados do século XIX. Cada reforma dava uma sobrevida à catedral e acrescentava elementos interessantes e diversificados.

História movimentada

V_E / Shutterstock
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Como acontece com outras cidades, Paris também viu muitas transformações políticas, econômicas e experimentou guerras mundiais ao longo de sua história. Na Revolução Francesa, por exemplo, ocorrida em 1789, as forças revolucionárias destruíram as imagens do templo que remetiam ao catolicismo e à monarquia, dois dos inimigos do ideal iluminista da época.

A catedral chegou a ser confiscada e utilizada como lugar de celebrações impostas pelo regime, com o chamado Culto da Razão e Culto do Ser Supremo, implementado pelo revolucionário Robespierre.

Com o fim do processo revolucionário, Napoleão Bonaparte devolveu a catedral à Igreja, fazendo diversas reformas e renovações no local que estava praticamente abandonado. Foi na catedral que ele se autocoroou como imperador da França, pondo um ponto final à Revolução.

Além disso, no auge da Guerra dos Cem Anos entre a França e a Inglaterra, o inglês Henrique VI se utilizou da catedral onde se proclamou como rei dos franceses. A guerra, porém, não terminou bem para os ingleses.

Na catedral de Notre-Dame também foi realizada a cerimônia de beatificação de Joana D’Arc, restituída como heroína de França.

Mas a história da catedral e da França não pararam por aí. Basta lembrar que nos séculos seguintes ela foi palco de eventos como a Comuna de Paris, a guerra franco-prussiana, a primeira e a segunda Guerras Mundiais e até mesmo a revolução cultural de 1968, quando a juventude saiu para a rua de Paris, se concentrando ao longo da catedral.

Apesar dos prejuízos maiores ou menores a Notre-Dame sempre terem sido preservados e renovados até cinco anos atrás, antes do pavoroso incêndio, mantendo sua imponência e prestígio como um dos mais visitados cartões postais da cidade luz.

Inspiração

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A catedral de Notre Dame não apenas presenciou numerosos acontecimentos históricos de relevância como também se transformou numa fonte de inspiração para literatos e artistas. A arquitetura por si só já chama a atenção, por causa do estilo de construção que destaca a verticalidade e a luz. Quem a visita não pode deixar de contemplar suas abóbadas com nervuras e grandes vitrais, o que influenciou a construção e a arte de outros edifícios religiosos ou não do mundo afora.

Notre-Dame foi o cenário da obra literária mais famosa do escritor Victor Hugo. O romance “O Corcunda de Notre-Dame”  publicado em 1831, conta a história de Quasímodo, uma corcunda que é sineiro da catedral, e seu amor pela cigana Esmeralda.

O autor decidiu escrever seu romance para chamar a atenção das pessoas e das autoridades para o lamentável estado de abandono da catedral, defendendo sua preservação.

Quantos pintores retrataram Notre Dame em seus trabalhos e quantas fotos circulam hoje pelas redes sociais. E certamente, depois de sua recuperação, nenhum esplendor de sua arquitetura e decoração sacras, fachada da catedral, Paris e sua catedral voltarão a ser palco de visitação e de gravação de milhares de pessoas.

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