Dom Armando Bucciol assume o retiro da 62ª Assembleia da CNBB e propõe reflexões sobre à luz do seguimento de Jesus Cristo
A 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) começou com mudança na programação do retiro espiritual. O Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, que orientaria os Bispos, cancelou a participação devido ao conflito na Terra Santa.
Em coletiva, o presidente da CNBB, o Cardeal Jaime Spengler, explicou a decisão.
Segundo ele, a situação no Oriente Médio exige prudência. “Recebemos a comunicação de que, diante do conflito na Terra Santa, não seria prudente que o cardeal deixasse o Patriarcado de Jerusalém. O espaço aéreo está imprevisível e há um desconforto real diante da complexidade do momento”, afirmou.
Diante do cenário, a presidência convidou o Dom Armando Bucciol para conduzir o retiro entre os dias 15, 16 e 19 de abril.
Quem é Dom Armando Bucciol?
Dom Armando é Bispo emérito da Diocese de Livramento de Nossa Senhora (BA). Nascido na Itália, viveu por 33 anos no Brasil enquanto missionário, onde também exerceu serviços ligados à formação e à liturgia. Em 2024, recebeu a função de ser diretor espiritual do Colégio Pio Brasileiro, que pertence à CNBB.
Sobre essa experiência, ele destacou: “É uma experiência muito bonita viver no Pio Brasileiro, valeria a pena conhecer a riqueza dessa presença da Igreja do Brasil em Roma.”
Com trajetória marcada pela espiritualidade missionária e pela reflexão litúrgica, o Bispo assume a missão de conduzir os episcopados no início da 62ª Assembleia Geral.
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O tema do retiro dos Bispos
O retiro tem como eixo: “No seguimento de Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado, para testemunhar e louvar o seu amor.” Dom Armando explicou que o primeiro momento tratará das exigências e desafios de seguir Cristo.
Ele também abordará o zelo pastoral e a missão evangelizadora da Igreja. Ao citar Paulo VI e a exortação Evangelii Nuntiandi, recordará que “a Igreja existe para evangelizar”.
Dom Armando ainda mencionará ensinamentos do Papa e a centralidade do Evangelho “sine glossa”, expressão retomada por Francisco de Assis e que foi frequentemente citada pelo Papa Francisco, como convite a viver a Palavra ao pé da letra.
Parresia e transparência
Na quinta-feira (16), o foco será a “paresia evangélica”. A palavra, de origem grega, indica liberdade e coragem.
Dom Armando explicou: “Paresia é liberdade, é coragem, para viver relações humanas transparentes.” Ele acrescentou que, diante das ambiguidades presentes na sociedade, a Igreja é chamada a testemunhar autenticidade.
Serviço como lógica do poder
Outro ponto do retiro tratará do serviço. Inspirado no gesto de Jesus no lava-pés, o Bispo destacou: “Nós, os Bispos, quanto mais poder, mais serviço. Esta é a lógica evangélica, conseguir vivê-la é o essencial que Jesus nos propõe. E que constantemente devemos procurar.” A proposta é reforçar que a autoridade na Igreja se mede pela capacidade de servir.
Liturgia fiel ao Evangelho
A experiência de Dom Armando com a liturgia também marcará as meditações. O tema será “para uma liturgia fiel ao Evangelho”.
Ele recordou que a sociedade possui múltiplas “liturgias”, presentes na política, no esporte e em outras expressões públicas. Para o Bispo, a celebração precisa conservar sua identidade evangélica e conduzir ao encontro com Cristo crucificado e ressuscitado.
➕ Veja a programação completa da 62ª Assembleia Geral da CNBB