Conselho de Igrejas Cristãs reflete reconhecimento mútuo do batismo

Representantes de Igrejas Cristãs se reuniram para discutir as possibilidades do maior reconhecimento da validade do sacramento
Imagem Batismo no Vaticano do artigo Conselho de Igrejas Cristãs reflete reconhecimento mútuo do batismo

Desafios e possibilidades sobre a validade do sacramento entre as instituições

Em 15 de novembro de 2007, as Igrejas Católica, Anglicana, Luterana, Presbiteriana e Ortodoxa, que fazem parte do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) assinaram um ato que reconhece de forma mútua a validade do Batismo administrado nestas respectivas Igrejas.

“Administramos o Batismo com água e em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, para remissão dos pecados, de acordo com a intenção e a ordem de Cristo (Mt 28, 18-20). Com este mútuo reconhecimento excluímos a possibilidade de rebatismo, em caso de passagem de membros de uma Confissão para outra. Damos graças a Deus por este vínculo básico de unidade que nos é dado e pedimos a assistência do Espírito Santo para vencermos as divisões e nos comprometemos a prosseguir na jornada em prol da perfeita unidade cristã”, diz um trecho do documento.

A Comissão Teológica do CONIC promoveu um encontro entre os dias 17 e 18 de julho, com representantes das igrejas para discutir e refletir sobre os desafios e possibilidades do reconhecimento, nesses quase 17 anos após a assinatura deste ato. A baixa efetividade deste processo gerou frustrações e também é uma das principais razões para esta reunião.

Os membros do Grupo de Reflexão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estiveram presentes no encontro, entre eles o Arcebispo de Passo Fundo (RS), Dom Rodolfo Weber, assessor da Comissão para o Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso, Padre Marcus Barbosa, a irmã Raquel Colet, da Companhia das Filhas da Caridade; Padre Volnei Carlos, do Clero da Arquidiocese de Curitiba; e o Padre Elias Wolff, membro da Comissão Teológica do CONIC.

Dom Rodolfo avaliou o encontro como positivo e ressaltou o clima de diálogo aberto e respeitoso.

“A partilha sobre os fundamentos teológicos do Sacramento do Batismo permitiu aprofundar a compreensão desta ponte que une os cristãos. Como também foi importante partilhar as diferentes orientações pastorais para administrar o sacramento do batismo nas Igrejas membro do CONIC. Existem normas diferentes sobre os padrinhos e testemunhas do batismo nas Igrejas que precisam ser respeitadas. E uma das formas mais respeitosas de fazer isto é torná-las conhecidas pelas Igrejas”.

Padre Marcus Barbosa disse que o encontro, sob a coordenação do CONIC, expressa um importante passo dado pelo movimento ecumênico no Brasil.

Nos dias que estivemos juntos, ao rezarmos e refletirmos sobre o documento, nos sentimos fortemente comprometidos a torná-lo mais conhecido e vivido pelas nossas igrejas. O reconhecimento mútuo do Sacramento do Batismo entre as Igrejas-Membro do CONIC concretiza o nosso seguimento de Jesus Cristo e nos faz avançar na caminhada em prol da unidade cristã”.

CONIC
CONIC

O que foi refletido sobre o Sacramento?

Os participantes foram divididos em grupos para trocar experiências sobre como o Ato de Reconhecimento Mútuo do Batismo contribuiu para o aprofundamento da vivência ecumênica e entender quais situações em que este ato não foi plenamente considerado. Um dos pontos que foram revelados é que conflitos ocorreram devido ao desconhecimento das teologias e doutrinas das outras igrejas.

“Percebemos que estes fatores não estão relacionados à compreensão doutrinária do batismo, que é a mesma entre as igrejas-membro, mas sim a regulamentações específicas de cada igreja”, explicou a pastora Romi Bencke, secretária-geral do CONIC.

Através de discussões abertas e honestas, as igrejas podem fortalecer seus laços e promover a unidade na diversidade, oferecendo um testemunho comum de acolhida, paz e reconciliação para a sociedade brasileira.

 “Houve ricas trocas de experiências que nos enriquecem mutuamente, e confirmou a unidade já existente na fé batismal, o que cria uma base consistente para o diálogo sobre o que ainda diverge na doutrina cristã”, finalizou o padre Elias Wolff.

Padre Ferdinando Mancílio reflete sobre o batismo

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