Igreja da Sagrada da Família: o único templo católico de Gaza

Única igreja católica na Faixa de Gaza, Igreja da Sagrada Família foi atacada pelo exército israelense. Entenda.
Igreja da Sagrada Família de Gaza

Reduto da fé católica foi construído na década 1960 e acabou se tornando alvo de bombardeio israelense. Leão XIV condenou o ataque e segue cobrando fim do conflito

Os católicos são minoria na Palestina. Com o agravamento da guerra e dos ataques de Israel – inclusive contra hospitais, escolas e alvos civis -, até mesmo o último e único refúgio dos poucos fiéis cristãos que ainda permanecem na Faixa de Gaza foi violada pelos horrores de uma guerra desigual.

No último dia 17 de julho, tanques israelenses atingiram a Igreja da Sagrada Família, deixando três mortos e 11 feridos. Um dos feridos no ataque foi o pároco da igreja, o sacerdote argentino Gabriel Romanelli, que ficou conhecido principalmente porque, desde o início da guerra, recebia todas as noites uma ligação do papa Francisco.

Detalhe de parte da Igreja destruída pelo ataque israelense (Reprodução/Vatican Media)

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, diante da repercussão internacional do ataque, tentou minimizar. Fez contato com o papa Leão e disse que o alvo fora atingido por engano.

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Entre ruínas e o silêncio de uma região devastada, o pequeno templo era um último refúgio espiritual para uma comunidade de pouco mais de 200 católicos encurralados pelo medo.

A Igreja da Sagrada Família era também um último abrigo para idosos, crianças e civis que não tinham para onde ir. Simbolicamente, era um espaço de trégua, expressando a fé e o espírito humanitário, até ser covardemente atingido pelas bombas do exército israelense.

História

A Igreja da Sagrada Família foi construída na década de 1960 e está sob administração da arquidiocese do Patriarcado Latino de Jerusalém. Apesar da diminuta comunidade católica na Palestina e na Faixa de Gaza, a atuação na região tem enorme importância, especialmente na educação.

Registro da construção da Igreja da Sagrada Família de Gaza na década de 1960 (Reprodução/Wikipedia)

Em 1974, a paróquia fundou a Escola da Sagrada Família, que ao longo das décadas teve importante papel, atendendo milhares de crianças, inclusive não-católicas. Além da escola, a paróquia abriga ainda três conventos e um lar para crianças com deficiência. No entanto, desde a escalada do conflito e dos ataques israelenses em 2023, as atividades foram duramente comprometidas por conta das ordens de evacuação.

Na ocasião do ataque israelense, o papa Leão XIV se mostrou consternado com o ocorrido. A Santa Sé emitiu uma nota:

“Sua Santidade, o Papa Leão XIV, ficou profundamente entristecido ao saber da perda de vidas e dos ferimentos causados pelo ataque militar à Igreja Católica da Sagrada Família, em Gaza, e assegura ao pároco, padre Gabriele Romanelli, e a toda a comunidade paroquial sua proximidade espiritual.

Ao confiar as almas dos falecidos à misericórdia amorosa de Deus Todo-Poderoso, o Santo Padre reza pelo consolo dos que sofrem e pela recuperação dos feridos. Sua Santidade renova seu apelo por um cessar-fogo imediato e expressa sua profunda esperança por diálogo, reconciliação e uma paz duradoura na região”.

Interior da Igreja da Sagrada Família (Reprodução/Wikipedia)

Nenhum culpado

Diante da revolta internacional com o ataque, as Forças de Defesa de Israel (IDF) prometeram investigar o suposto erro e emitiram um relatório. As conclusões, no entanto, não trazem responsabilidades e ignoram o ato hostil contra o templo e os civis que nela estavam.

O documento explica que o tiro disparado contra a igreja católica teria ocorrido por acidente, surpreendentemente sem ação humana, e por mau funcionamento do projétil ou do mecanismo da peça de artilharia que o lançou.

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Em resumo, nenhuma responsabilidade individual pode ser atribuída e ninguém enfrentará punição, seja criminal ou disciplinar. As Forças de Defesa de Israel não esclareceram a natureza do problema.

Segundo reportagem sobre o tema publicada no site oficial do Vaticano, nos últimos 22 meses de guerra, em nenhum outro incidente semelhante, como os que envolveram o assassinato de voluntários humanitários e socorristas estrangeiros, trabalhando para ONGs ou sob bandeiras da ONU, qualquer responsabilidade foi apurada e nenhum soldado israelense foi punido.

A simbologia desse ataque não pode ser subestimada. Na tradição católica, igrejas não são apenas construções; são locais sagrados, espaços de esperança, especialmente em contextos de guerra.Atacar uma igreja é mais do que destruir paredes: é violar uma promessa de proteção. É converter um santuário em alvo.

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