Durante o Jubileu dos Catequistas, que reuniu mais de 50 mil fiéis em Roma, o Santo Padre pediu que a Palavra de Deus ressoe por meio dos catequistas
Durante a missa do Jubileu dos Catequistas, celebrada na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV afirmou que “o catequista é uma pessoa de palavra, uma palavra que pronuncia com a própria vida”. Mais de 50 mil fiéis participaram da celebração, onde foram instituídos 39 ministros da catequese.
O Pontífice recordou que os primeiros catequistas são os pais. “Eles foram os que primeiro nos falaram e nos ensinaram a falar. Assim também acontece com a fé. Ela nasce no ambiente onde vivemos, ao redor da mesa, no convívio diário. A família experimenta a beleza do Evangelho quando há uma voz, um gesto, um rosto que conduz a Cristo”.
O Evangelho que revela os corações
Na homilia, Leão XIV refletiu sobrea parábola do rico e de Lázaro.“O Senhor vê não apenas o exterior, mas o coração. Reconhece o indigente e também o indiferente”.
O Papa destacou que a história narrada por Jesus continua atual: “Às portas da opulência jaz hoje a miséria de povos inteiros, atormentados pela guerra e pela exploração”. Para ele, a riqueza sem caridade é um vazio. “Está perdido nos pensamentos do coração, cheio de coisas, mas vazio de amor. Os seus bens não o tornam bom”.
Apesar disso, o Evangelho anuncia a esperança. “Os sofrimentos de Lázaro têm um fim. Assim como os festins do rico também terminam. Deus faz justiça a ambos”, afirmou.
A missão dos catequistas
O Papa lembrou que o ministério da catequese significa “fazer ressoar”. Por isso, ser catequista é mais do que ensinar: é testemunhar. “Vocês são discípulos de Jesus que se tornam suas testemunhas. O nome do ministério vem do verbo grego katēchein, que significa instruir de viva voz”.
Ele destacou que o anúncio da fé não pode ser delegado. É na vida concreta que ela se transmite. “Todos nós fomos educados na fé pelo testemunho de quem acreditou antes de nós. Crianças, jovens, adultos e idosos: todos somos acompanhados nesse caminho pelos catequistas”.
O Papa também citou Santo Agostinho ao falar sobre a missão: “Expõe tudo de modo que quem te ouça, ouvindo, acredite; acreditando, espere; e esperando, ame”.
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Compromisso com justiça e paz
Leão XIV alertou contra a indiferença diante da dor do próximo. “Quando somos tentados pela ganância e pela indiferença, os muitos Lázaros de hoje recordam-nos a palavra de Jesus. Eles se tornam para nós uma catequese ainda mais eficaz”.
O Jubileu, segundo ele, é tempo de conversão e de compromisso com a justiça. “É também tempo de buscar a paz verdadeira”.
Proximidade com os que sofrem
Ao final da missa, o Papa manifestou solidariedade às vítimas do tufão Ragasa, que atingiu países da Ásia, como Filipinas, Taiwan, Hong Kong, Guangdong e Vietnã. “Estou próximo das populações afetadas, especialmente as mais pobres. Rezo pelas vítimas, desaparecidos, famílias deslocadas e por todos os socorristas”.
Ele ainda anunciou que, em 1º de novembro, no contexto do Jubileu do Mundo Educativo, São John Henry Newman receberá o título de Doutor da Igreja.
Por fim, deixou um convite à oração a Nossa Senhora: “Ela, que foi a mãe e primeira discípula de Jesus, sustente hoje o compromisso da Igreja com o anúncio da fé”.