Papa pede “jejum de palavras” nesta Quaresma

Em sua primeira Quaresma como Bispo de Roma, Leão XIV propõe uma penitência que pode transformar relações e comunidades. Descubra qual é o convite!
Imagem papa leao xiv durante missa na turquia em viagem apostolica 2026 do artigo Papa pede “jejum de palavras” nesta Quaresma

Em sua primeira Quaresma como Bispo de Roma, Leão XIV propõe uma penitência que pode transformar relações e comunidades. Descubra qual é o convite!

“Escutar e jejuar”, é o que pede o Papa Leão XIV para a Quaresma com um apelo aos fiéis: rever a forma como falam e escutam. O texto propõe a Quaresma como um tempo de conversão que passa pelo silêncio interior e pelo cuidado com a linguagem.

O Pontífice convida a Igreja a viver este período como um retorno ao essencial. A Quaresma, recorda, é o momento em que somos chamados a recolocar Deus no centro da vida.

Escutar para converter o coração

Logo no início da mensagem, o Papa destaca a escuta como atitude fundamental. Segundo ele, a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”.

A escuta da Palavra de Deus, especialmente na liturgia, educa o olhar e o coração. Para o Santo Padre:

“Entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta.”

Assim, a conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade. Trata-se de permitir que ela reorganize prioridades e ilumine as escolhas.

➕  Em uma Audiência geral, o Papa afirmou que a Palavra de Deus sacia a sede de sentido

Jejum que educa o corpo e o espírito

Além da escuta, o Papa reforça o valor do jejum como prática tradicional da Igreja. Ao envolver o corpo, ele auxilia no discernimento dos desejos e ajuda a ordenar os impulsos.

O jejum, escreve, mantém viva a fome e a sede de justiça. Ele impede a resignação e transforma o clamor interior em oração e responsabilidade para com o próximo.

Contudo, o Santo Padre alerta que a prática precisa ser vivida com fé e humildade. Sem isso, corre o risco de se tornar gesto vazio ou motivo de vaidade.

➕  Como fazer o Jejum?

motortion/Adobe Stock
motortion/Adobe Stock

Abster-se de palavras que ferem

Entre as propostas, o Papa apresenta uma forma de abstinência que considera pouco valorizada: o cuidado com a linguagem.

“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias.”

A orientação vale para todos os ambientes. Família, amizades, trabalho, redes sociais, debates políticos e meios de comunicação são citados como espaços onde a palavra deve ser purificada. “Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.”

O Pontífice convida os fiéis a medir as palavras e cultivar a gentileza. A Quaresma, nesse sentido, torna-se também um tempo de revisão da comunicação cotidiana.

➕  Saiba como escolher sua penitência na Quaresma

Caminho comunitário

A mensagem ressalta que a vivência quaresmal não é individual. Todos são chamados a trilhar juntos esse percurso.

“As nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento.”

Por fim, o Papa dirige uma exortação aos fiéis e pede que a comunidade cristã busque uma Quaresma que tenha os ouvidos atentos a Deus e aos mais vulneráveis.

Peçamos a força de um jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor. De coração, abençoo todos vocês e o seu caminho quaresmal.”

Missa de Cinzas

Pela primeira vez desde o início de seu pontificado, o Papa Leão XIV presidiu a tradicional celebração da Quarta-feira de Cinzas, em Roma. A procissão partiu da Igreja de Santo Anselmo, no Aventino, e seguiu até a Basílica de Santa Sabina, onde foi celebrada a Missa com o rito da imposição das cinzas.

Vatican Media
Vatican Media

Na homilia, o Pontífice apresentou uma leitura do momento atual relacionado a Cinzas. Ele afirmou que a Quaresma começa sob o peso de “um mundo em chamas”, marcado por guerras, crises ambientais e fragilidades culturais.

Hoje podemos reconhecer a profecia contida nestas palavras e sentir nas cinzas que nos são impostas o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra: as cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos, as cinzas de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas, as cinzas do pensamento crítico e de antigas sabedorias locais, as cinzas daquele sentido do sagrado que habita em cada criatura.”

Fonte: Vatican News

WhatsApp
Telegram
Facebook
X
LinkedIn

Leia Também