Um acréscimo ao Credo gerou divergência entre as Igrejas do Ocidente e do Oriente. Entenda!
Filioque é uma palavra latina que significa “e do Filho”. Ela se refere a uma pequena mudança feita na formulação do Credo Niceno-Constantinopolitano.
Originalmente, o Credo dizia:
“Creio no Espírito Santo, que procede do Pai”.
No Ocidente (especialmente a partir do século VIII), a Igreja acrescentou as palavras “e do Filho”, ficando assim:
“Creio no Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho (Filioque)”.
Por que isso é importante?
Essa mudança tocou num ponto muito sensível da Teologia: a relação entre as Pessoas da Trindade.
A Igreja do Oriente (Ortodoxa) não aceitou esse acréscimo, pois ele não foi decidido por um Concílio Ecumênico, e ela acreditava que isso mudava o entendimento da natureza do Espírito Santo.
Para a Igreja do Ocidente (Católica), o Filioque expressava que o Espírito Santo procede do Pai como fonte primeira, mas também por meio do Filho.
Consequências dessa diferença
Essa disputa foi uma das causas do Cisma entre a Igreja do Oriente e do Ocidente em 1054, que resultou na separação entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa.
E hoje? O que a Igreja diz?
Nos últimos tempos, especialmente com os esforços de diálogo entre católicos, ortodoxos e protestantes, a Igreja tem buscado reconciliação e compreensão mútua:
Muitos teólogos defendem uma formulação conciliadora:
“O Espírito Santo procede do Pai através do Filho”.
Em encontros ecumênicos, pode-se rezar o Credo sem o “Filioque”, como sinal de respeito às tradições orientais.
Por que isso é importante para a fé hoje?
Apesar de parecer um detalhe, essa discussão nos ensina:
- Que a formulação da fé foi sendo amadurecida ao longo do tempo;
- Que os Concílios são essenciais na definição das verdades da fé.
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Fonte: Vatican News I Clerus.org