Dos faraós ao Vaticano: a história milenar dos obeliscos

Dos templos do Antigo Egito às praças de Roma e do mundo, os obeliscos atravessaram séculos como símbolos de poder, fé, império e memória histórica.
Imagem obelisco sao pedro do artigo Dos faraós ao Vaticano: a história milenar dos obeliscos

Andando pelas ruas e praças de algumas das grandes cidades, é comum o viajante se deparar com alguns monumentos que chamam a atenção pelo formato, pela altura e pelo significado. Trata-se dos obeliscos que tem sua origem no Antigo Egito, onde eram vistos como símbolos sagrados que homenageavam, sobretudo, o deus sol, e representavam ainda a ligação dos faraós com o divino. A forma alongada e piramidal do obelisco era vista como um raio do deus sol chamado de .

Ao mesmo tempo, os obeliscos eram um símbolo de poder e de sua ascensão aos céus. Um obelisco podia ainda homenagear o faraó por uma grande conquista ou por sua vida; por esta razão, se gravavam inscrições em hieróglifos em suas laterais.

Acreditava-se também que os obeliscos tinham o poder de dissipar energias negativas que pairavam sobre as cidades, especialmente aquelas manifestadas por meio de tempestades ou outros fenômenos naturais catastróficos.

A palavra “obelisco” tem sua origem no grego obeliskos, significando “pilar” ou “espeto”. Eles possuem uma base quadrada e se afunilam em direção ao topo, onde terminam em uma pequena pirâmide. Os primeiros exemplares eram esculpidos em um único bloco de pedra, chamados também de monólitos, até atingir a forma mais característica.

Do Egito para Roma e para o Mundo

Após a conquista do Egito pelos romanos, alguns obeliscos foram levados para Roma como troféus, tornando-se monumentos que representavam o poder imperial. O transporte de blocos de até 200 toneladas era uma empreitada de grande monta e dificuldades.

Na Roma Imperial, foram erguidos em locais públicos de grande visibilidade, como circos e fóruns até que, aos poucos, o império passou a construir os seus próprios obeliscos.

Após a queda do Império Romano, diversos desses monumentos caíram ou foram enterrados até serem redescobertos e reerguidos pelos papas, especialmente durante o período do Renascimento, mas com outro significado.

Os Obeliscos de Roma

Roma é considerada uma das cidades com mais obeliscos egípcios fora do próprio Egito, destacando-se entre todos alguns belíssimos exemplares mais representativos.

Obelisco Lateranense

Reprodução/Adobe Stock:GISTEL

O maior obelisco egípcio existente em Roma encontra-se na Piazza San Giovanni in Laterano, ao lado do Palácio Apostólico e da Basílica de São João de Latrão. Com 32 metros de altura e pesando mais de 230 toneladas, foi originalmente erguido no Templo de Amon, em Karnak, antes de ser transportado para Roma pelo imperador Constantino.

O obelisco é da época dos faraós Tutemés III e Tutemés IV (XV século a.C.). Depois de décadas em Alexandria, foi levado para Roma em 357, com a finalidade de adornar o Circo Máximo junto ao obelisco Flaminio.

Ele se perdeu durante a Idade Média, sendo reencontrado quebrado em três pedaços em 1587. Hoje mede 32 metros, mas durante sua restauração, ficou 4 metros mais baixo que o original. Com a base e a cruz, atinge a altura de 45,70 metros.

Obelisco da Praça de São Pedro

Reprodução/Adobe Stock: runny1975

Um dos obeliscos mais emblemáticos e mais conhecidos do mundo está bem no centro da Praça de São Pedro, no Vaticano. Embora não possua hieróglifos, sua origem egípcia é inquestionável, tendo sido trazido de Heliópolis, no Egito, para Roma pelo imperador Calígula no século I d.C.

Possivelmente seja da época do faraó Nencoreo (XII dinastia, 1991-1786 a.C.). É feito de granito vermelho, liso, sem registro hieróglifico, medindo 25,5 metros de altura.

Sua base possui quatro leões de bronze e, contando até a cruz, sua altura é de 40 m, sendo o segundo maior obelisco de Roma. Reza a lenda que a cruz em cima do obelisco guarda um pequeno fragmento original da cruz de Jesus Cristo, ali colocado pelo Papa Sixto V. Este é o único obelisco antigo de Roma que nunca caiu.

Obelisco Flaminio da Piazza del Popolo

Reprodução/Adobe Stock:Andrej

Outro representativo obelisco egípcio pode ser encontrado na Piazza del Popolo. Originalmente, foi erguido pelo faraó Seti I, concluído por Ramsés II ou Merneptá (Século III a.C.) e colocado no Templo de Rá, em Heliópolis, antes de ser levado para Roma por Augusto.

O obelisco mede 24 metros de altura e, contando com a base e a cruz no topo, sua altura chega a 36,50 metros.

Foi levado para Roma em 10 a.C. e colocado no Circo Máximo. Perdeu-se durante a queda do Império Romano e em 1587, foi descoberto quebrado em três pedaços. Foi restaurado em 1589, por ordem do papa Sisto V. Em 1823, Giuseppe Valadier decorou-o com uma base com quatro bacias circulares e estátuas de leões imitando o estilo egípcio.

Obeliscos do mundo

Roma é a cidade que possui o maior conjunto de obeliscos do mundo, com 13 obeliscos antigos, sendo 08 egípcios trazidos pelos romanos e 05 romanos espalhados pelo centro histórico, além de réplicas e outros modernos.

Não se sabe exatamente quantos obeliscos existem no mundo, mas estima-se que haja cerca de 30 obeliscos egípcios originais espalhados pelo mundo, como o de Luxor, levado para Paris, e milhares de cópias e reproduções, entre os quais se destacam os obeliscos de Washington, nos Estados Unidos, o grande obelisco de Buenos Aires e o de Londres.

No Brasil também são muitos os obeliscos existentes, desde os pequenos colocados em rotatórias, praças e avenidas de cidades do interior até chegar às grandes cidades onde se destaca o grande obelisco do Parque do Ibirapuera, que com 72 metros de altura, ali foi colocado em homenagem aos caídos da Revolução Constitucionalista de 1932.

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