Missa reúne pai diácono e filho padre na Diocese de Santos

Ordenação de diácono permanente e padre na mesma família, na mesma diocese e na mesma paróquia é fato inédito
Familia de Diác. José Henrique e Pe. Gabriel na Paróquia de São Francisco de Assis em sua primeira missa

Ordenação de diácono permanente e padre na mesma família, na mesma diocese e na mesma paróquia é fato inédito

A Diocese de Santos viveu um momento histórico, que ficará na memória de toda a comunidade.

Pela primeira vez, pai e filho foram ordenados em ministérios diferentes, no mês de agosto do mesmo ano, e puderam celebrar juntos no altar. O diácono permanente José Henrique Cardoso de Morais e o Pe. Gabriel Almeida de Moraes realizaram a primeira missa lado a lado no último dia 24 de agosto, na Paróquia São Francisco de Assis, em Cubatão (SP).

A história de fé começou há mais de três décadas, quando José e a esposa chegaram da Bahia e encontraram na paróquia um espaço de acolhida e espiritualidade.

“Foi muito forte a experiência, a espiritualidade aqui da paróquia foi sempre acolhedora, um povo orante, um povo muito carismático que nos atraiu… Então, foi algo lindo, maravilhoso”, disse José em entrevista ao Santa Portal.

O desejo de servir à Igreja cresceu junto com a família. Gabriel, nascido em 1995, ainda criança se tornou coroinha e se envolveu nas pastorais. Na juventude, chegou a pensar em outros caminhos, mas a voz de Deus falou mais alto.

“Conheci o seminário quando tinha 14, 15 anos, bem jovem. (…) Aos 22 anos retomei a vocação sacerdotal. Procurei o sacerdote da época, Pe. Carlos de Miranda, que me aconselhou a procurar o Seminário Diocesano São José, em Santos.”

Hoje, ordenado padre, ele reconhece a importância da presença do pai. “Meu pai é uma inspiração para mim. Eu, como filho, sempre vi meu pai me educar na fé. Ele sempre nos ensinou aquilo que agrada a Deus. Como filho, me sinto honrado em ter um pai que me ensinou a caminhar na fé.”

Diác. José Henrique abraça filho, Pe. Gabriel, em sua primeira missa na Diocese de Santos (Reprodução/Paróquia São Francisco de Assis)

O testemunho também transformou o coração de José, que viveu o chamado de uma forma diferente. Em entrevista ao G1, contou que ainda jovem, sonhava em ser padre, mas escolheu o matrimônio. Anos depois, o desejo floresceu no diaconato.

“Eu acredito que a semente que o Senhor plantou no meu coração se estendeu até ele. (…) Quando ele deu o sim ao Senhor, eu me senti realizado também, porque o pai se realiza junto com o filho”.

A família abraçou a vocação. José estudou Teologia para Leigos por quatro anos, com o apoio da esposa, que aprovou com alegria sua decisão.

“Eu caminharei nessas duas pegadas santas: a matrimonial e a eclesial. Ser casado é um serviço. E ser da Igreja é outro. São dois caminhos que levam para uma vida de santidade, de entrega, de comunhão e de serviço.

Entenda a diferença entre diaconato permanente e transitório

O momento em que ambos se encontraram no altar foi descrito como providência divina.

Costumo dizer que são momentos únicos que dificilmente se repetirão daqui a 5, 6, 7, 10, 15 anos de tal forma semelhante, com tantas coincidências e providências. Deus conseguiu unir essas duas ordenações no mesmo mês, no mesmo ano. Maravilhoso, só tenho que agradecer a Deus.”

Após a ordenação, Pe. Gabriel viveu outro momento marcante: esteve no Santuário Nacional de Aparecida, em ação de graças, junto de outros dois neo-sacerdotes. A visita foi uma forma de entregar à Mãe Aparecida a nova etapa de sua vocação.

“Fomos ordenados no último dia 23 de agosto na Catedral de Santos, na Diocese de Santos e com a graça de Deus estivemos aqui na casa da mãe em Aparecida para agradecer a nossa ordenação presbiteral, minha, do Padre Adriano e também do Padre Túlio. É uma grande graça de Deus estar aqui em Aparecida e, sobretudo, estar aqui como sacerdote, como padre.”

Beatriz Nery/A12
Os neo-sacerdotes Pe. Tulio, Pe. Gabriel e Pe. Adriano da Diocese de Santos no Santuário Nacional (Beatriz Nery/A12)

A ligação com o Santuário vem de longa data. Gabriel recorda que desde criança a devoção a Nossa Senhora Aparecida faz parte de sua vida.

“Desde a minha infância, desde quando eu me lembro, venho aqui à Aparecida peregrinar. É um costume da minha família de virmos todos os anos. Então eu cresci neste espaço, todos os anos vindo à Casa da Mãe, peregrinando, vindo à Sala das Promessas, visitando este espaço sempre que cresci, vendo também o Santuário Nacional crescer junto, e hoje a gente vê o Santuário belíssimo, com as fachadas, com as pinturas novas. É muito bom e gratificante estar aqui e ter acompanhado todo este processo ao longo dos anos desde a infância.”

Família do Diác. José Henrique e Pe. Gabriel visitando o Santuário Nacional de Aparecida (Reprodução/G1 Arquivo Pessoal)

O padre ainda compartilha que a presença de Nossa Senhora Aparecida fez parte do discernimento de sua vocação.

“Nossa Senhora Aparecida, este título mariano, foi muito importante para mim, para a minha vocação. Nossa Senhora sempre esteve comigo, sempre me protegeu, intercedeu por mim. Eu tenho certeza que, como muitos brasileiros, eu também fui um agraciado em ter a intercessão da Mãe Santíssima, Nossa Senhora Aparecida.”

Essa linda história de vocação em família mostram como isso se fortalece no coração da Igreja. Como disse o diácono José: Eu espero que as famílias se inspirem a buscar os caminhos de Deus, não necessariamente como padre ou como diácono. Mas que a família seja de fato levada por este caminho do bem, do Senhor. É isto que nós precisamos cada vez mais em nossa sociedade.”

Essa história tocou seu coração? Neste mês vocacional, se inspire a buscar os caminhos de Deus, não necessariamente como padre ou como diácono, mas também pelas diversas vocações da Igreja.

10 dicas que ajudam a discernir o chamado a vocação religiosa

Fonte: Santa Portal/G1

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