O governante ou o Estado que souber fazer o bom uso político da religião, terá garantido para si, em teoria, uma obediência às leis civis e uma conduta moral com salvaguarda na religião, ancorada na fé.
Maquiavel, pensador político do século XV, já refletia sobre o uso da religião por parte do Estado e de seu governante.
Não através do pensamento teológico que a religião traz consigo, mas do seu uso prático e social, o pensador florentino colocava a religião como ponto fundamental e essencial para a manutenção do Estado.
O documentário da Netflix “Apocalipse nos Trópicos” mostra como, no Brasil de hoje, a religião — ou as religiões — têm sido usadas como ferramenta de sustentação e formação do Estado. Ao assistir o documentário é fácil perceber o uso da religião ou das religiões nesse sentido.
Ao chegar próximo do período das eleições, os candidatos, seja para presidente, seja para o Parlamento brasileiro, utilizam de suas religiões — e demais religiões também — para angariarem votos a seu favor.
➕ Cristãos e seu papel na política de um país
É preciso refletir, ainda mais hoje, em meio à polarização política no Brasil e no mundo: a utilização da religião no âmbito político leva a uma unidade ou a uma ruptura nacional?
Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte (MG), na ocasião das eleições presidenciais de 2022, disse:
“Vamos dar um basta aos sentimentos que estão contaminando o processo eleitoral, dividindo famílias e rompendo amizades.”
É fundamental questionar-se pelo fato de que, a partir do momento que a religião adentra o panteão da política, passa a ser uma forma de “massa de manobra” para temas importantes no debate sócio-político de um país.
A própria Igreja, com a Constituição Gaudium et Spes declara:
“Além disso, dado que a Igreja não está ligada, por força da sua missão e natureza, a nenhuma forma particular de cultura ou sistema político, econômico ou social, pode, graças a esta sua universalidade, constituir um laço muito estreito entre as diversas comunidades e nações, contanto que nela confiem e lhe reconheçam a verdadeira liberdade para cumprir esta sua missão.” (GS 42)
Como cristãos, precisamos ter em mente que não fazemos reverência a nenhum político, nem a nenhum candidato, mas somente a Jesus Cristo, mestre e príncipe da Paz. (cf. CNBB, 28/10/2022)
Discernir e buscar o melhor caminho e, principalmente, àquele (a) que irá fortalecer a paz, a fraternidade entre todos os brasileiros é fundamental. Quando se causa divisão na sociedade, a política já não serve mais para o bem comum.
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