A vida em comunidade e seus desafios

Koinonia é formar uma comunidade de esperança. É um reconhecimento que, sozinho, é impossível manter a fidelidade na consagração batismal. “Eu preciso de você para ser fiel” em minha consagração!

Quando falamos da vida comunitária dentro do contexto da comunidade cristã, sempre há dois elementos que são diferentes, mas inter-relacionados:

  1. A “comunidade apostólica” —isto significaa maneira que a comunidade se organizaem suas estruturas internas. O ideal éviver como Cristo vivia com os dozee como as primeiras comunidades cristãs nosAtos dos Apóstolosviviam. Inclui elementos como suaespiritualidadeefraternidade.
  2. A “comunidade em missão” —esse elemento significa quea comunidade, por amor, precisa sair de si mesma para poder servir aos outros, especialmente aos pobres, os abandonados e os dependentes. Fala docarisma fundacional, um serviço específico na Igreja e no mundo, baseado naexperiência mística do(a) fundador(a).

Esse segundo elemento precisa muito do primeiro, especialmente sua espiritualidade, para animar o carisma e purificar suas motivações interiores. Um elemento depende do outro. Espiritualidade antes de ação.

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Koinonia é formar uma comunidade de esperança. Irmãos(as) que vivem juntos com a mesma meta, isto é, a busca de fidelidade na vivência de sua consagração.

É um reconhecimento que, sozinho, é impossível manter a fidelidade na consagração batismal. “Eu preciso de você para ser fiel” em minha consagração!

Segue uma definição teológica da vida comunitária (ou koinonia):

A vida comunitária é o que nos une —  busca de fidelidade na aliança batismal — assim, não existe qualquer há distinção entre os membros. É, ou melhor, quer ser ‘ processo’ de uma realização histórica —  aqui e agora — com rostos concretos da comunhão trinitária (amor radical) vivida em fraternidade livre (opção livre) e em serviço ao homem e ao mundo (descreve o projeto ou carisma da congregação).

É comunidade acolhedora: isto significa a aceitação da totalidade de todos os outros membros dessa comunidade. A aceitação das coisas boas neles – seus talentos/ dons/ seu passado/ seu valor/ seus trabalhos dentro e fora da comunidade – mas também exige a aceitação das coisas difíceis nessa pessoa: seus defeitos, limitações/ pecados e fraquezas, etc.

Segundo o Evangelho, não podemos dividir a pessoa,  aceitando o bom e rejeitando o mal. É o pacote todo. Significa que somos capazes de contemplar nossos(as) irmãos(as) e ver o “rosto do Criador” neles. Eles refletem o Criador se temos a paciência para buscar e apreciar. Mas significa, sobretudo, que sou capaz de acolher o diferente no outro, e não encarar essa diferença como uma ameaça para minha vida. É para Apreciar, e não condenar/criticar/ fofocar ou caluniar.

É comunidade perdoante: somos, por natureza, um grupo de imperfeitos vivendo em comunidade. Por causa disso, nos reunimos e vivemos juntos, para apoio na vivência radical da aliança de nosso batismo. Precisamos de muita coragem e honestidade para perceber que, às vezes, nós somos a causa da dificuldade no relacionamento e no acolhimento, e não o outro.

Às vezes, o diferente no outro me questiona, e fico inseguro, e até me sinto inferior diante dele. A tendência humana, normalmente, então, é reagir diante do diferente que ameaça minha pessoa. Exigimos que o outro seja como eu, uma “cópia xerox” de mim e, por isso, ela não pode me questionar, incomodar ou ameaçar, e precisa se moldar ao como eu sou.

Como é difícil, no primeiro momento, acolher o diferente no outro, porque, no fundo, não acolho a mim mesmo e minhas limitações!

Sendo imperfeitos, vamos ofender uns aos outros. É uma realidade bruta da vida comunitária. Ninguém escapa essa realidade, nem Cristo. A maioria das ofensas não são grandes e são fáceis para perdoar se houver generosidade, compreensão e amor no coração. Mas pode ser que haja uma ofensa maior e mais séria. Isto vai precisar de um processo de perdão.

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