Um convite a percorrer o deserto interior, reconhecer as tentações como caminho de amadurecimento espiritual e renovar a confiança em Deus no período quaresmal
O deserto, na tradição bíblica, é um lugar de provação, purificação e encontro com Deus. No Antigo Testamento, foi no deserto que o povo de Israel foi formado e testado durante quarenta anos.
Já no Novo Testamento, é Jesus quem percorre esse caminho durante quarenta dias, recapitulando a história do seu povo e abrindo caminho para a Nova Aliança.
As tentações sofridas por Cristo tocam pontos fundamentais da existência humana, como o poder, o prestígio e a autossuficiência. São as mesmas armadilhas que ainda rondam a humanidade.
Ser tentado não é sinal de fraqueza ou de falta de fé; ao contrário, pode ser sinal de que Deus nos ama e deseja nos tornar cada vez mais semelhantes a Ele.
O fundador da Congregação Redentorista, Santo Afonso Maria de Ligório, nos ensina que, se Deus permite a tentação, é porque confia em nós e quer nos fazer crescer.
Com essa nova perspectiva, as tentações passam a ser também uma oportunidade de amadurecimento espiritual.
Santo Afonso nos incentiva a fazer de tudo para “sermos vencedores”, apoiados nos meios que a própria Igreja oferece.
Quais são esses meios?
- A oração: que nos mantém unidos a Deus e atentos à sua voz;
- A penitência: que nos liberta do apego ao que nos afasta de Deus;
- A caridade fraterna: que nos abre ao outro e rompe o isolamento do egoísmo.
Esses três pilares já aparecem nas Sagradas Escrituras, quando Jesus orienta seus discípulos sobre como viver de maneira autêntica.
O primeiro domingo da Quaresma é, portanto, um convite a entrar conscientemente nesse tempo de graça.