Redentoristas de São Paulo: a missão antes do Concílio Vaticano II

No seu segundo texto, padre Victor Hugo conta como era a missão dos missionários logo que chegaram ao Brasil.
Grupo de missionários em 1908.

Relato dos caminhos percorridos desde 1894 até à atual organização pastoral com suas prioridades pastorais e missionárias.

Os Missionários Redentoristas chegaram a Aparecida no dia 30 de outubro de 1894, por volta das 11 horas da noite. Na estação ferroviária, muita gente os recebeu com discursos, banda de música e foguetes.

Em seguida, foram acolhidos para um jantar na residência do tesoureiro, Comendador João Maria de Oliveira Cesar, e depois encaminhados para uma pequena casa reservada para eles, onde hoje está hoje o Convento Velho, na praça da Basílica Velha. Eram dois padres e três irmãos religiosos.

Poucos dias depois, embora mal falassem o português, já recebiam a responsabilidade de cuidar provisoriamente da Paróquia e do então Santuário de Aparecida.

Leia o primeiro texto desta série | Redentoristas de São Paulo de 1894 aos dias atuais 

Os bávaros que chegavam eram todos voluntários, gente simples do povo, cheios de tenacidade, sem preparo prévio para a missão estrangeira, e vinham para ficar para sempre. Além da paróquia e do santuário, os pioneiros redentoristas começaram a atender os doentes de toda a região e cuidavam das capelas rurais.

Em meados de 1895 Padre Gebardo Wiggermann  transferiu a sede da missão de Goiás para Aparecida e conseguiu que viessem da Baviera jovens clérigos, para aqui terminar os estudos. Em 1898, foi então criado o Juvenato. Já em 1900, compraram para o Santuário uma gráfica e começaram a publicação do Jornal Santuário de Aparecida. Adquiriram também uma impressora para a congregação e, assim, nascia a futura Editora Santuário. Em 1904, publicaram o Manual do Devoto, a obra mais tradicional dos missionários que trazia novenas, orações, cânticos.

Primeira Edição do Manual do Devoto de Nossa Senhora Aparecida

Comissão do Patrimônio Histórico
Padre João Batista Kiermeier com juvenistas em 1907. (Comissão do Patrimônio Histórico)


Os princípios doutrinais e as práticas de ação missionária, as vivências de piedade e de observância religiosa redentoristas inspiravam toda a pastoral. Destacam-se quatro:

– As Constituições e Regras da Congregação do Santíssimo Redentor;

– O lema “Salva a tua Alma”;

– A espiritualidade do Presépio, da Cruz e os sacramentos;

– A devoção mariana;

Não foi fácil!

Na opinião dos redentoristas, “o Santuário encontrava-se em situação deplorável”, pois milhares de peregrinos acorriam ao Santuário, sem receber uma palavra orientadora, permanecendo num nível externo de promessas e de gestos penitenciais, sem crescer na fé e na vida cristã. A ausência da Igreja (institucionalizada) era quase total. A ação pastoral foi quase nula; não se pregava, não havia catequese, o povo não era convidado para uma revisão de vida através da pregação, da confissão, da comunhão.” (cf. Augustin Wernet, Os Redentoristas no Brasil, I vol, pg. 197).

Com os missionários, tudo mudou

Comissão do Patrimônio Histórico
Grupo de missionários em 1908. (Comissão do Patrimônio Histórico)


Os bávaros tiveram que integrar-se com o povo festeiro, conversador, fogueteiro, congadeiro, com as bandas de música e negociantes exploradores dos romeiros, e ainda enfrentar os conflitos com os pastores evangélicos, que mais de uma vez tentavam fixar-se em Aparecida.

Ao trazer os Redentoristas para Aparecida, Dom Lino e Dom Arcoverde cumpria os planos do episcopado para atualização da Igreja no país. Dados desse plano:

– Plena obediência ao Papa e comunhão entre as dioceses, criação de novas dioceses e paróquias, criação de seminários;
– Geração de meios de sustentação;
– Condução do povo cristão a passar do modelo devocional, leigo e festivo lusitano para o modelo sacramental, dentro do projeto de romanização clerical;
– Catequese doutrinal;
– Pastoreio estritamente clerical, com a redução inteira dos leigos a ovelhas a ser cuidadas pelos padres;
– A busca de religiosos europeus;
– Dinamização dos santuários como lugares privilegiados para a formação dos cristãos.

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