Crise política e econômica do Brasil tem raízes históricas e exige reflexão sobre bem comum e responsabilidade.

Não sejamos otimistas e alienados. Há, de fato, uma crise política e econômica rondando ferozmente a nação brasileira. O que não é exceção no mundo; basta olhar as últimas instabilidades da União Europeia e as quedas bruscas das bolsas asiáticas, especialmente na China, gigante da economia planetária cujas oscilações refletem imediatamente em todo o planeta.

Raízes históricas da crise brasileira

Mas aqui no Brasil a crise não é momentânea, e sim fruto de um processo histórico de incompetência administrativa unido à avassaladora vontade de levar vantagem em tudo. O problema do país, na sua raiz, é a incapacidade que temos, enquanto nação e cultura, de pensar no bem comum antes de colocar nossos interesses em jogo.

O “bem público” no país é terra de ninguém, enquanto cada um tenta, dentro de suas ganas, salvaguardar o que está no âmbito de seu espaço privado. Temos problemas com distribuição de renda, terras, educação e saúde. Somos mestres em lutar pelo “meu” e deixamos o “nosso” ao Deus-dará.

E já que o público é de ninguém, está armada a farra do boi entre aqueles que elegemos para cargos administrativos e legislativos. Nossos prezados políticos — e as exceções, se existem — apenas reforçam a tese, nadam de braçada no que é público e transformam o bem comum em benesses privadas. Enriquecem-se com os bens da nação.

Não me venham falar de Mensalão e Petrolão — os escandalosos processos de corrupção dos bens públicos são apenas o aqui e agora de uma história de espoliação dos bens comuns que acompanha o país há mais de quinhentos anos.

Exemplo histórico: o ouro das Minas Gerais

Um exemplo clássico: no tempo em que a Coroa Portuguesa dominava o país e cobrava das minas brasileiras um quinto do ouro extraído, já existia o contrabando e a técnica de garantir também o próprio quinhão — o ouro escondido nos chamados “santos do pau oco”, ou seja, imagens de santos perfuradas por dentro, por onde o ouro escorria das Minas Gerais sem que ninguém percebesse.

Consequências e responsabilidade

A história política do país tem sido marcada por essas falcatruas, amparada pelo poder instituído e mascarada pelos processos burocráticos de uma justiça que está longe de ser cega. Aqui todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.

Com isso, quero afirmar que a crise, pela qual passa o país, não pode se tornar argumento válido para justificar atitudes irracionais de sublevação popular. Antes, a crise precisa resgatar a história, recuperar a responsabilidade de agentes e personagens da política, balizar nossas decisões e ampliar as discussões populares.

Reflexão sobre a mídia e a percepção da crise

O bombardeio de informações que recebemos pela mídia parece nos manter antenados, mas, com tanta informação, já nem temos capacidade de analisar o que de fato acontece no país e se há alguma luz no fim do túnel. O certo é que a crise não nasceu ontem nem apenas com a corrupção do atual governo. “O buraco, no Brasil, é mais embaixo!”

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