PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA
HISTÓRIA ANTIGA 01
Depois de apresentarmos a História da Igreja no Brasil, na América Latina e no período moderno, aproveitando a ocasião da celebração dos 500 anos da Reforma Protestante, entramos agora no tempo que vai nos contar o nascimento da Igreja a partir do mandato de Cristo aos apóstolos.
Queremos tratar da história de um modo diferente, sem preocupar-nos tanto com fatos, com datas ou grandes personagens, mas queremos apresentar aquilo que realmente é importante.
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Nós queremos apresentar a Igreja não como um grupo de pessoas ou uma instituição desligada da vida e do destino das pessoas, mas queremos ver a sua história como parte integrante da história dos homens. Queremos apresentar a Igreja como uma comunidade viva, atuante, que influencia e sofre influências.
Durante muito tempo, a Igreja foi vista como uma instituição santa. Hoje queremos continuar apresentando a Igreja deste modo, mas não podemos esconder a sua outra face, pois, apesar de ser ligada a Cristo, sendo sinal do reino de Deus, a Igreja é formada por seres humanos e, com isto, as falhas e defeitos aconteceram ao longo dos tempos.
Porém, o importante é que estudando a história do passado, teremos mais condições de compreender a nossa história atual. Assim podemos dizer que, com o estudo da sua história faremos uma grande volta no tempo, dividida em três momentos principais:
Nós vamos ESTUDAR o passado, vamos COMPREENDER o presente e tentaremos PREESCUTAR o futuro, tentando decifrar os nossos caminhos futuros. Uma última coisa nos resta dizer: A história não é feita somente pelos grandes personagens, mas todos nós somos construtores de história. Na Igreja não são somente os Papas, Bispos e Padres que fazem a história, mas todos nós temos parte integrante nisto. Cada um de nós fazemos a história acontecer.
Finalmente nos resta dizer: Bom proveito neste estudo e seja participante na construção de nossa história!
Situação política e religiosa da Palestina na época de Jesus Cristo
Desde o ano 722 antes de Cristo, o país onde vivia o povo de Israel estava dominado por nações estrangeiras. A partir do ano 63 a.C. este domínio passou a ser feito pelos romanos.
Roma era a maior potência política e econômica daquela época. Em 63 a.C. um general de nome Pompeu conquistou a Palestina, que desde então passou a fazer parte do império romano. A palestina funcionava como uma província semiautônoma, pois as autoridades locais foram mantidas.
No tempo do nascimento de Cristo, o imperador era Otavio Augusto. Ele governou de 27 a.C. a 14 d.C. Quando Cristo foi morto, o imperador era Tibério e ele reinou de 14 a 37 de nossa era.
Os romanos mantinham o seu domínio sobre as províncias do império a ferro e fogo, e para conseguir isto cobravam impostos de todas as nações dominadas. Frequentemente faziam recenseamentos nas províncias, para calcular se o recebimento dos impostos estava correspondendo ao crescimento da população.
O recenseamento feito na época do nascimento de Cristo tinha esta finalidade (Cf Lc 2, 1-7). Nas províncias do império, os imperadores eram representados pelos procuradores romanos. No tempo em que Jesus Cristo foi morto, o procurador era Pôncio Pilatos. Ele morava na cidade de Cesaréia e visitava Jerusalém somente na época das grandes festas, para cuidar, sobretudo, da segurança da população.
Órgãos de governo e partidos políticos
Na Palestina, o órgão político mais importante era o SINÉDRIO. Este era como um Senado, composto por 71 membros comandados por um sumo-sacerdote. Este órgão era o responsável pela vida dos judeus, pela aplicação do cumprimento da lei e pela ordem interna.
No contexto político, destacavam-se os partidos político-religiosos que lutavam pelo predomínio no meio do povo. Todos eles tinham uma conotação religiosa. Entre os partidos mais fortes destacavam-se os saduceus, fariseus, essênios e os zelotas. Como hoje, cada partido lutava para continuar influenciando o povo.
Algumas características diferenciavam o povo judeu dos demais povos que viviam no Oriente Médio:
- O povo judeu acreditava em um único Deus vivo e verdadeiro. Os demais povos eram todos politeístas, pois acreditavam em muitos deuses diferentes. Esses deuses em geral eram representados na forma humana ou de animais.
- A esperança no MESSIAS ajudava o povo a caminhar. Esta esperança era forte, sobretudo, no meio do povo mais simples e humilde.
- Os profetas, homens chamados por Deus, pregavam a fidelidade à Aliança e a volta da Nova Jerusalém.
- A lei tinha uma importância decisiva. A lei ou TORÁ devia ser cumprida a todo custo.
- As instituições mais importantes na vida religiosa do povo eram o templo, as festas religiosas, com destaque para a festa da Páscoa, a sinagoga e a guarda do dia de sábado.
- Foi neste ambiente que Jesus Cristo nasceu como um homem histórico, encarnado na história humana. Foi neste ambiente que Ele lançou a semente do reino de Deus e convocou um grupo de pessoas, os apóstolos, para continuar a sua missão.
Após Jesus Cristo e, especialmente após a revelação do Espírito Santo em Pentecostes, os discípulos começaram a reunir-se em comunidades, tendo por base a comunidade de Jerusalém.